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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sábado, 10 de Abril de 2010, 12h:37

CONFINAMENTO

Expectativa agita mercado

Volumes de cabeças que irão para os cochos ainda são indeterminados, porém, cenário indica expansão em 2010

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A menos de um mês para abertura da temporada do confinamento do rebanho bovino, o mercado já começa a se movimentar em torno da questão que promete agitar a pecuária neste primeiro semestre do ano. Por enquanto, ainda é uma incógnita. Ninguém dispõe de números fechados sobre o volume de animais que irão para o confinamento, mas o mercado sinaliza um momento positivo com a recuperação da arroba do boi. A expectativa é de que até maio os pacotes sejam fechados e os pecuaristas dirão sim ou não ao confinamento. “A decisão vai depender de três fatores fundamentais: preço do boi magro, custos de engorda (confinamento) e preço de comercialização”, afirma o diretor executivo da Associação dos Proprietários Rurais de Mato Grosso (APR/MT), Paulo Resende. Segundo ele, o custo de produção está muito alto e o preço final do produto ainda está em patamares aquém do desejado. “O pecuarista deve ter muita cautela antes de decidir se é vantajoso para ele optar pelo confinamento este ano”, recomenda Resende que também é criador. A opinião de Resende é endossada pelo zootecnista Bruno Andrade, da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon). “É preciso tomar alguns cuidados, como ficar de olho nos custos de produção e nos preços do boi magro, controlar bem a rotina do confinamento e ter uma boa gestão de custo. Se surgir uma boa oportunidade de venda no mercado futuro, o pecuarista não deve pensar duas vezes”. Quando vai tomar a decisão de fechar o animal em cocho (confinamento), o pecuarista analisa o custo de produção onde três itens são fundamentais: preço dos grãos (milho, soja, caroço, etc.), o custo do animal magro e o preço que ele vai vender o animal. “Essa decisão o pecuarista deve tomar em maio e junho, quando se inicia a temporada dos confinamentos”, lembra o superintendente da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), Luciano Vacari. Sistema responsável para que a engorda do boi seja muito mais rápida que no pasto, os confinamentos vêm “bombando” em Mato Grosso, onde o número de propriedades que optaram em fazer confinamento cresceu mais de 300% nos últimos anos. Essa curva ascendente, entretanto, vem caindo. No ano passado, o volume confinado recuou para 497 mil cabeças, contra 536 mil em 2008. Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a capacidade estática de confinamento do Estado é de 668 mil cabeças. BRASIL - A Assocon também confirma queda no número de animais confinados no país. Nos oito estados onde a entidade tem associados (MT, MS, GO, MG, SP, PR, RJ e MA), a retração foi de 19%. A Assocon representa 20% do mercado de confinamento do país. De acordo com Bruno Andrade, a queda se deveu à baixa cotação do boi gordo e à regularidade das chuvas, que favorecem a permanência do gado no pasto. “Os animais que seriam confinados ficaram nas áreas de pastagens devido ao menor custo. Além disso, os preços de aquisição do boi magro estavam valorizados e não compensava”. Ele entende, contudo, que Mato Grosso tem excelentes condições para produção de gado confinado. “O Estado possui matéria-prima em abundância, volume interessante de plantas frigoríficas e está pronto para receber confinamento”. Na opinião de José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP (empresa de consultoria e análises do agronegócio do País) sem dúvida nenhuma o sistema de confinamento cresceu muito nos últimos anos. “Só que agora há um crescimento mais limitado no número de animais”, diz. De acordo com o diretor, o pecuarista teve grandes dificuldades para adquirir bois magros e quando os comprou, os preços estavam altos. “o mercado está muito desequilibrado e, para recuperarmos, seria necessário que o sistema de crédito fosse retomado e as exportações voltassem a subir”.

Edição EDIÇÃO 16968




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