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ECONOMIA
Sexta-feira, 24 de Julho de 2009, 19h:54

BIENAL DA AGRICUTLURA

Evento reúne os 500 maiores de MT

Referência no agronegócio mundial, Mato Grosso reúne produtores que se destacam pela excelência na gestão. Apesar do senso comum, nem sempre são agricultores com enormes áreas de produção ou restritos à monocultura: o que os diferencia é a adoção de práticas eficientes de administração agrícola. Essas experiências de gestão serão destaques na terceira edição da Bienal dos Negócios da Agricultura, realizada pela Famato, de 19 a 21 de agosto em Cuiabá, cujo tema é “Renda Agrícola”. “O foco é assegurar a renda na produção agrícola, e conhecendo mais de perto as experiências desses agricultores, poderemos avançar”, observa o coordenador do evento, Ricardo Arioli Silva. “O segmento aprendeu a dar valor à escala de produção e não à gestão. Estabilidade e sucesso não são precedidos pela escala, mas pela gestão, pela organização do negócio”, ensina o produtor José Eduardo Macedo, de Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao norte de Cuiabá). Agrônomo de formação, José Eduardo chegou ao Estado em 1981, sem “herança rural”: a primeira porção de terra adquirida tinha 50 hectares. Hoje, possui área cultivável de 1,2 mil ha – extensão considerada grande na média nacional, mas que na imensidão mato-grossense o torna médio produtor. Foi pioneiro na introdução do plantio direto. Adota rotação literal de cultura e alterna a safra de verão entre soja, milho e arroz. Tem uma granja de engorda de suínos, onde reaproveita os dejetos para a produção de fertilizantes, lançados por meio de pivô central. Com o sistema de irrigação, ainda cultiva arroz e feijão, e está avaliando a possibilidade de inserir trigo. “Sempre me preocupei com o manejo ambiental. Quando cheguei aqui, a lei permitia desmatar até 80% da área, mas abri cerca de 50% e, por isso, tenho uma área de cultura permanente onde cultivamos seringueira”. Agora, José Eduardo está implantando um sistema de integração lavoura-pecuária para recria de bovinos e se prepara para aproveitar a produção de gás metano como fonte de energia. Em 2002, o produtor Adilson Jacinto da Silva deixou o Rio Grande do Sul “com uns trocados na algibeira” e hoje é líder de um grupo em União do Sul, município próximo de Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá). Junto a outras três famílias, cultiva 4 mil ha de soja e milho safrinha. Tem papel atuante no sindicato rural sinopense e ajudou a fundar uma cooperativa, a Coopercalta. “Da porteira pra dentro, dominamos as etapas de produção, temos informações técnicas e produtos de boa qualidade. A dificuldade está na porteira pra fora. É preciso entender o mercado futuro, os pacotes de negócios. O pulo do gato está na hora de comercializar a produção. Uma boa safra significa plantar bem, colher bem e vender bem. Quem não vende bem já fica, logo de cara, com perdas de 20% a 30%. Esse é o caminho para o algo a mais”, afirma. PERFIL – Ao contrário do que muitos imaginam, o produtor mato-grossense está amadurecido. Dados de um levantamento da Vetor Pesquisas feito para a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT) em 2007 indicam que 47,9% dos produtores têm até mil hectares produtivos. Predominam os agricultores experientes: 76,6% plantam há mais de dez anos e 57,1%, há mais de 20 anos. E 42,9% dividem a atividade entre agricultura e pecuária, sendo que destes 84% integram soja e milho – o que fragiliza o mito da monocultura.

Edição EDIÇÃO 16962




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