O alerta quanto à necessidade de um minucioso estudo de viabilidade técnica e econômica para implantação de um posto de combustível vale também para aqueles que querem construir um posto às margens das rodovias. Afinal, são inúmeros os problemas que poderão advir no futuro. Para se ter uma idéia, só nos últimos quatro anos nada menos que 40 postos de combustíveis, localizados nas rodovias, fecharam suas portas em Mato Grosso. Um número considerado alto pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipetróleo), refletindo a verdadeira maratona que os revendedores têm enfrentado para sobreviver aos obstáculos tributários. O sindicato alerta que se a situação não for revertida, outros postos poderão deixar de funcionar em pouco tempo. O principal sintoma da crise está na queda do volume comercializado do óleo diesel, principal produto que gera a lucratividade dos postos de rodovia. O revendedor Laércio Estrela, que há 15 anos é empresário na área, diz que nunca enfrentou uma crise tão forte como a de agora. Ele possui dois postos: um na cidade de Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá) e outro localizado na BR-162, próximo ao entroncamento do município de Vera, a 480 quilômetros da Capital. Imagino que o maior problema seja a questão tributária. Com isso os caminhoneiros preferem abastecer em São Paulo e Goiás. Assim eles entram em nosso Estado com os tanques cheios e abastecem apenas o necessário, relata Laércio. Para ele, isso não acontecia antes porque não havia tanta diferença de preço no diesel. Porém, quando os outros estados baixaram a alíquota de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço), Mato Grosso perdeu mercado. O problema não é de hoje e a cada dia tende a se agravar mais, declara Laércio, que nos últimos três anos registrou uma redução de 75% nas vendas de diesel nos seus postos. (MM)