ECONOMIA
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009, 08h:12
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EFEITO MORALES
Estoque de GNV acaba dia 5
Depois de um contrato temporário firmado entre MT e Bolívia, fonte garante ao Diário que o acordo foi malfeito em 2008
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O estoque de Gás Natural Veicular (GNV) nos postos de Cuiabá poderá acabar na primeira semana de setembro, pois não há mais reservas extras de gás para alimentar os dutos. A planta da Sadia, que utiliza o gás natural boliviano como matriz energética para movimentar parte de sua indústria em Várzea Grande, também ficaria sem o combustível no começo do próximo mês. Uma fonte ligada à Companhia Mato-grossense de Gás (MT Gás), estatal responsável pela exploração, distribuição e comercialização do produto no Estado, informou ao Diário que após a paralisação de 70 dias durante o último trimestre de 2008, foi feito apenas um envio por meio da estatal boliviana YPFB. Este ano não recebemos sequer uma remessa nova da Bolívia, pois o acordo não garantia o suprimento em uma escala periódica. Os reflexos deste acordo mal-fechado poderão ser sentidos agora, quando os estoques novamente chegarem ao fim. Para o professor Paulo Ciríaco, morador do Parque Cuiabá, a volta do pesadelo está anunciada. Depois do desabastecimento do ano passado eu não esperava, novamente, ficar sem o GNV para abastecer meu carro. Gostaria de saber quem irá assumir a culpa. Para o vendedor Moacyr Lima, residente na Morada do Ouro, a imprudência do governo estadual em deixar a situação do abastecimento chegar a este ponto gera mais desconfiança por parte da população. Já estou pensando em retirar os equipamentos do carro porque não existe nenhuma garantia, disse ele. De acordo com informações, o último envio de gás natural para Mato Grosso, cerca de 3,30 milhões de metros cúbicos (m³), ocorreu em dezembro do ano passado, após o acordo temporário firmado entre a Companhia Mato-grossense do Gás (MT Gás) e a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), responsável pelo suprimento ao mercado mato-grossense. O contrato previa o envio de 3,504 milhões de m³, porém a diferença (204 mil m³) não foi despachada devido a problemas técnicos nos últimos oito meses. Com isso, a pressão dos dutos diminuiu e o suprimento aos seis postos e à planta da Sadia está sendo feito com as últimas reservas ainda existentes no gasoduto. MT GÁS - O presidente da MT Gás, Helny de Paula, informou que os acertos para o novo contrato com a Bolívia já estão concluídos e que continua aguardando apenas o envio dos documentos para assinar o acordo de fornecimento com a YPFB. A expectativa da MT Gás é fechar um acordo com a Bolívia em bases que permitam uma drástica redução dos preços aos consumidores. A Companhia espera que os preços pagos à YPFB caiam dos atuais US$ 9,65 por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica) para patamares entre US$ 5,80 a US$ 6,30 por milhão de BTU. O GNV, que já chegou a custar R$ 1,89 na bomba, teve seus preços reduzidos recentemente para R$ 1,69 e pode chegar a até R$ 1,40 caso os valores fiquem dentro das projeções e dos entendimentos preliminares acertados com os bolivianos. Helny ratificou que a demora para a assinatura do contrato é porque o novo acordo será de longo prazo, por um período de 15 anos. Nós, da MT Gás, também estamos ansiosos e esperamos ver o problema resolvido o mais rápido possível. 2008 Em dezembro do ano passado, após mais de dois meses sem GNV no varejo, os consumidores acreditavam que a assinatura de um novo acordo entre as estatais mato-grossense e boliviana poria fim à novela. O contrato firmado naquela ocasião permitiu suprimento até o momento e majorou o preço do metro cúbico em 11,94%, alterando o valor de bomba de R$ 1,59, para R$ 1,89. O preço atual de até R$ 1,62 é fruto de disputa entre os postos e não reflete qualquer baixa vinda da MT Gás.