ECONOMIA
Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011, 19h:09
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ZPE
Estado promete entregar casas
CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da sucursal de Cáceres
Dentro de 60 dias, segundo promessa do governo do Estado, devem ser iniciada a obras de construção das 30 casas para as famílias despejadas da área do distrito industrial de Cáceres (250 quilômetros a oeste de Cuiabá) destinada à instalação da Zona de Processamento de Exportação de Mato Grosso, a ZPE. O anúncio do início das obras foi feito pelo assessor especial da Casa Civil, Ilson Sanches. Ele revelou ainda que paralelamente a desocupação da área, a nova diretoria da Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Mato Grosso (AZPEC S/A), também terá de regularizar o mais rápido possível a escritura do imóvel e a renovação de todas as licenças ambientais. As mais de 30 famílias ocuparam a área, dividida em pequenas chácaras produtivas e estão no local há cerca de 15 anos, enquanto o projeto de instalação da ZPE ficou estagnado. Com a retomada do projeto de implantação, durante o governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva, começaram as providências. São 23 ZPEs em todo o país, sendo 12 antigas e 11 novas, mas nenhuma ainda em funcionamento. Em Cáceres, a primeira medida foi retirar as famílias, que só saíram mediante determinação judicial. Além de uma casa popular construída em terreno doado pela prefeitura, o compromisso do governo do Estado com as famílias inclui a doação de cinco hectares de terra. Apesar de despejadas, a maioria das famílias apoia o projeto da ZPE. Uma minoria tinha outras fontes de renda, mas a maioria vivia do que produzia na chácara, como é o caso de Ana Maria Silva Garcia, que plantava hortaliças e frutas e criava vacas de leite, porcos e galinha. Agora, ele está morando na cidade na casa de uma filha e trabalhando como diarista, fazendo faxinas. Mesmo assim, afirma que acredita na ZPE como mecanismo de desenvolvimento, "de geração de emprego para nossos filhos". Ela viveu no local por doze anos e saiu porque tem a filha que dá o suporte, mas ainda há famílias no local, que só poderão sair quando o governo entregar as moradias. Ao todo eram 33 famílias. Ana Maria faz parte da comissão de moradores que se alojaram na área. Segundo ela, a maioria entende que precisa sair. "Tivemos o privilégio de ficar na área e produzir, mas sabíamos que a terra não nos pertencia", afirma. Concluindo, ela disse que todos esperam que o governo cumpra o acordo, para que voltem a trabalhar. "Queremos a terra para trabalhar. Tem gente lá que abastecia os mercados locais com hortaliças".