ECONOMIA
Terça-feira, 07 de Julho de 2015, 20h:32
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SEGURO-EMPREGO
Empresas e centrais aprovam programa que evita demissões
Proposta permite reduções da jornada e do salário, mas haverá proteção do FAT
Entidades empresariais e centrais sindicais vêem como positiva a medida provisória publicada ontem pelo governo federal no Diário Oficial da União, que cria o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) para evitar demissões de trabalhadores por empresas em dificuldades financeiras temporárias. A proposta permite a redução da jornada de trabalho e do salário em até 30%, com uma complementação de 50% da perda salarial pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), limitada a R$ 900,84, que é 65% do maior benefício do seguro-desemprego, cujo valor é R$ 1.385,91. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em uma redução de 30% da jornada, por exemplo, um trabalhador que recebe hoje R$ 2.500,00 de salário, quando entrar no PPE passará a receber R$ 2.125,00, sendo que R$ 1.750,00 serão pagos pelo empregador e R$ 375,00, com recursos do fundo. Para o diretor executivo de Assuntos Tributários, Relações Trabalhistas e Financiamentos da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Hiroyuki Sato, embora a medida não seja suficiente para que as empresas enfrentem a crise, ela sinaliza um reconhecimento do governo federal de que a situação é grave, e que é preciso preservar empregos. Ele diz que, com o programa, será possível manter a mão de obra qualificada. Existe uma margem muito pequena para as empresas poderem reduzir o custo de mão de obra, e isso acaba gerando demissões. E é muito ruim para a classe trabalhadora e para as próprias empresas, que perdem a mão de obra já treinada. Em época de crise não se pode dispor dessa mão de obra, porque quando há a reativação, a empresa já perdeu a competitividade, disse o diretor da Abimaq, explicando que, nos últimos 12 meses, o setor perdeu 23 mil trabalhadores. O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, disse que a medida ameniza os efeitos da crise e valoriza a negociação coletiva, fortalecendo o diálogo entre trabalhadores e empresários. Fortalece a visão coletiva. Isso, comparado ao instrumento que já existe [lay-off], é melhor, porque não utiliza o seguro-desemprego e, ao mesmo tempo, faz com que o governo participe da compensação, disse. O lay-off é o recurso utilizado atualmente pelas empresas em situações de dificuldade, quando o trabalhador tem seu contrato de trabalho suspenso, passando a receber o seguro-desemprego do governo, mais a complementação do salário por parte da empresa. A adesão das empresas ao programa dependerá de acordo coletivo com os trabalhadores. Para o professor de Economia da PUC-SP, Antônio Carlos Alves dos Santos, é uma medida sensata do governo federal, que permite que as empresas continuem a funcionar. Todos saem ganhando, o Estado, que mantém a arrecadação fiscal, a empresa, que mantém seu lucro, e o trabalhador, que mantém sua renda, disse. Ele explica que, no plano econômico, a economia do país está encaminhada e deve retomar seu ritmo em cerca de um ano, se as medidas de ajuste fiscal forem aprovadas pelo Congresso Nacional. A instabilidade política é que está agravando a situação econômica, mas a medida [do PPE] está dentro daquilo que se espera de uma economia de mercado, disse Santos. Para o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores, Sérgio Nobre, a medida é positiva para esse momento, quando muitas empresas estão anunciando cortes no setor industrial, entre 20% e 30%. Temos um instrumento que dá prazo de um ano para vencer o período de crise, preservando os direitos dos trabalhadores. Se as previsões estiverem corretas [de um ano para o fim da crise], é o que precisamos para passar por esse período, disse Nobre. Para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o PPE avança ao oferecer um mecanismo adicional de preservação do emprego. Ele permitirá maior estabilidade ao funcionário e uma adequada previsibilidade ao empregador. É um verdadeiro seguro-emprego e um avanço social que nos equipara aos sistemas adotados em mercados maduros e desenvolvidos, disse, em nota, o presidente da Anfavea, Luiz Moan Yabiku Junior. O período de validade para a utilização do programa pelas empresas é de seis meses, prorrogável por mais seis. A adesão vai até o fim deste ano. Essas empresas, então, não poderão dispensar os empregados que tiveram sua jornada de trabalho reduzida, enquanto vigorar a adesão, e pelo prazo de 1/3 do período da adesão, ou seja, dois ou quatro meses depois.