ECONOMIA
Terça-feira, 03 de Julho de 2007, 20h:36
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VIDEOLOCADORAS
Efeito da pirataria
Coxipó Vídeo fechou mais uma loja em Cuiabá. Setor estima
prejuízo de R$ 8 milhões no semestre devido à ilegalidade
MARIANNA PERES E MARCONDES MACIEL
Da Editoria/Da Reportagem
Em pouco mais de seis meses, pelo menos 50 videolocadoras que atuavam na Grande Cuiabá fecharam as portas e mais de 600 postos de trabalho foram eliminados pela ação da pirataria de filmes de DVDs. No último sábado a nova ordem do setor se confirmou. A Coxipó Vídeo fechou a loja da Avenida Rubens de Mendonça, com oito funcionários. Antes, a empresa já havia fechado a loja da Rua Miranda Reis (cinco empregos diretos). A filial fechada estava em atividade há pelo menos 15 anos e foi a terceira inaugurada pela Coxipó Vídeo. De acordo com levantamento das empresas, a ação dos piratas já teria causado às empresas da Grande Cuiabá prejuízos de R$ 8 milhões só no primeiro semestre deste ano. O cálculo das empresas é feito com base na estimativa diária de locações de filmes cerca de 70 títulos diários por locadora, a um preço médio de R$ 3,99 por DVD gerando uma movimentação mensal de R$ 1,68 milhão. Com a reordenação, a Coxipó Vídeo uma das pioneiras do mercado e em atividade há mais de 20 anos -, que tinha cinco lojas funcionando na Grande Cuiabá, passa a ter apenas três lojas em atividade - Avenida Getúlio Vargas, Fernando Corrêa e Isaac Povoas -. Essas três lojas, que já chegaram a ter 30 funcionários juntas, hoje têm apenas 10 em cada uma. Apenas duas grandes empresas do setor CVC e Coxipó Vídeo fecharam quatro lojas, enxugaram o quadro funcional e cerca de 100 pessoas foram mandadas embora. Além de fechar duas lojas e enxugar o quadro de funcionários nas três unidades que ainda estão funcionando, a Coxipó Vídeo foi obrigada também a reduzir o horário de atendimento ao público em três horas. Antes trabalhávamos das 9 horas às 24 horas. Hoje estamos abrindo mais tarde (11 horas) e fechando mais cedo (23 horas), conta o proprietário da rede, Ubirajara Orrigo. A verdade é que não estamos suportando competir com os DVDs piratas. Se a situação continuar vamos ter que fechar outras lojas e encerrar nossas atividades, lamenta o empresário, que reclama a falta de uma ação mais eficaz por parte da fiscalização e da Polícia. As autoridades nada fazem para coibir a ação dos contraventores e isso está gerando insegurança geral no setor, afirma. Segundo ele, várias empresas que trabalham com vendas e locações de filmes de DVD em Cuiabá estudam a possibilidade de fechar suas lojas a curto e médio prazos. PASSO ADIANTE Ontem à tarde, empresários do setor de vídeo locação se reuniram com o secretário de Segurança Pública do Estado, Carlos Brito, para buscar providências que evitem mais prejuízos, levando ao conhecimento do secretário a realidade vivida por cada empresa. A audiência foi mais um passo na reorganização dos empresários que estão reativando a Associação das Vídeolocadoras de Mato Grosso. Estamos em processo de formação e nos unindo para impedir que mais baixas no setor sejam contabilizadas, explica Orrigo. CVC - Maior empresa do ramo em Mato Grosso, com nove lojas em Cuiabá e Várzea Grande, a CVC já chegou a ter 11 filiais e teve que fechar duas. A ação dos piratas que concorrem com as videolocadoras vendendo DVDs por até R$ 3 - levou a CVC a enxugar seu quadro de funcionários em 50% porque não conseguiu absorver a queda de movimento em suas lojas. Além do preço acessível, o mercado paralelo dos DVDs consegue trazer às bancas dos ambulantes até mesmo de pequenas lojas e até de bares, filmes que ainda nem estrearam nos cinemas. Entre os casos mais recentes estão os lançamentos Piratas do Caribe 3, Shrek Terceiro e Homem Aranha 3. Tivemos uma redução de 60% no faturamento com vendas e locações, aponta o sócio-proprietário da empresa, Renato Vargas. Estamos enxugando estrutura e buscando alternativas para nos mantermos no mercado. Não vamos abrir mão do negócio por causa da pirataria. 100% VIDEO - A franquia 100% Vídeo, com mais de 90 lojas em todo o país, aponta queda no movimento de locações de DVDs de filmes. A loja, que já chegou a contar com 12 funcionários, têm apenas seis. A pirataria tomou conta do mercado e o setor deixou de dar lucro. Se este quadro não mudar, muitas empresas da cidade vão fechar suas portas, alerta a proprietária da franquia, Jussara Marta da Silva.