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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sexta-feira, 30 de Maio de 2008, 19h:58

VAZIO SANITÁRIO - I

Economia de R$ 700 mi em MT

Proibição do plantio de soja tem início dia 15 e vale por 90 dias. Objetivo é reduzir a ferrugem

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A adoção do vazio sanitário em Mato Grosso reduziu drasticamente a fonte de inóculo da ferrugem asiática da soja na safra 2007/08, propiciando uma economia de R$ 700 milhões aos sojicultores pela redução no volume de fungicidas aplicados nas lavouras. Para este ano, o vazio sanitário – que começa no próximo dia 15 de junho e se estende até 15 de setembro – prevê a total ausência de plantas de soja em todas as regiões do Estado, conforme as medidas que visam a prevenção e o controle da ferrugem asiática. O produtor que cultivar soja no período do vazio sanitário pode ser multado em até R$ 80 mil e ter sua plantação destruída. Segundo o coordenador da Comissão de Defesa Vegetal da Superintendência Federal da Agricultura (SFA), em Mato Grosso, Wanderlei Dias Guerra, em 2007 todas as lavouras de soja foram infectadas pela ferrugem asiática. A média foi inferior a três aplicações, mas algumas lavouras chegaram a fazer até quatro aplicações de fungicidas nas regiões mais críticas como Vale do Araguaia e o leste estadual, em função da realização de plantios tardios. Para a safra 2007/08, ele prevê aumento de produtividade e um menor registro do número de focos de ferrugem. “Temos notado que a adesão [ao vazio sanitário] tem aumentado consideravelmente em nosso Estado. Acho que isso vai refletir diretamente no resultado da safra”. De acordo com Wanderlei Guerra, no ano passado houve adesão maciça dos produtores ao vazio sanitário. “Para 2008 esperamos aumentar ainda mais esta participação”. A recomendação do Ministério da Agricultura é fazer o plantio antecipado de soja, “utilizando variedades precoces e fazendo o monitoramento efetivo da lavoura, com aplicações preventivas ou nos primeiros sintomas da ferrugem”. Segundo o coordenador, o produtor deve estar atento à qualidade da aplicação, utilizando equipamentos bem regulados e uso da dose recomendada. “O produtor jamais deve aplicar subdoses, utilizar somente os produtos registrados no Ministério da Agricultura”. Ele lembra que este ano, em decorrência do prolongamento das chuvas, os produtores terão de “redobrar a atenção e fazer um controle ainda melhor porque se não destruírem as plantas tigüeras, a ferrugem pode ressurgir no começo do plantio, já que a quantidade de fungos vivos nas plantas remanescentes é maior este ano”. VAZIO SANITÁRIO – Com a introdução do vazio sanitário - estratégia de manejo que visa reduzir a presença do fungo Phakopsora pachyrhizi, que é disseminado pelo vento - é possível diminuir a possibilidade de incidência da doença no período vegetativo e, conseqüentemente, reduzir o número de aplicações de fungicida para controle da doença. Guerra frisa que os produtores estão conscientes e sabem da instrução normativa que regulamenta o vazio. “A medida é de prevenção e percebemos que houve uma redução considerável na incidência do fungo causador da ferrugem", disse ele. Este é o terceiro ano em que os produtores mato-grossenses realizam a experiência. Na prática, o vazio sanitário significa que, durante os 90 dias da entressafra, não se deve ter planta viva de soja. “O objetivo do procedimento é evitar a transmissão da ferrugem asiática. Deixar de plantar por um período é uma ação chamada de eliminação da ponte verde, já que a soja é o principal hospedeiro da doença”, explica. (Veja mais na página C2)

Edição EDIÇÃO 16964




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