ECONOMIA
Quarta-feira, 29 de Julho de 2015, 20h:10
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APÓS ELEVAÇÕES
Dólar deve se manter em novo patamar
As sucessivas elevações do dólar nos últimos dias, que resultaram na maior taxa em 12 anos, trouxeram o câmbio para um novo patamar, afirmam especialistas. O economista Sílvio Campos Neto, da empresa de consultoria Tendências, diz que a variação cambial colocou o real em um nível ajustado com o atual cenário negativo da economia brasileira. A taxa de câmbio já se desvalorizou bastante, e neste momento o espaço para novas altas é menor. Ainda pode haver surpresas por alguns movimentos de alta nas próximas semanas, mas o espaço é bem menor. Para o economista Mauro Rochlin, professor da Fundação Getúlio Vargas, a oscilação do dólar entre R$ 3,30 e R$ 3,50 deve se manter, caso não haja grande alteração no cenário econômico e político, que, para ele, já é bastante turbulento. Até onde a vista alcança, o patamar é este, afirmou. Entre os fatores que poderiam reverter o movimento, Rochlin cita a possibilidade de abertura de processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, rebaixamento mais significativo de nota das agências de risco e uma saída mais forte de capital. Sobre a revisão da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, que mudou a perspectiva da nota para negativa, os especialistas afirmam que o movimento já era esperado. Temos um panorama pouco favorável. A decisão confirma esse mal-estar e mostra como o ambiente deve continuar diverso nos próximos meses, disse Campos Neto. Rochlin lembrou que normalmente a mudança de perspectiva antecede uma mudança de nota. A ideia é fazer a coisa paulatinamente para ir alertando os clientes de como vai a economia do país, como vai a chance de calote dos títulos [públicos], como anda o risco de crédito. Os economistas destacam, como fato que desencadeou a elevação do dólar, a má interpretação, pelo mercado, da revisão de metas de superávit primário, mas reforçam que há elementos adicionais, como a deterioração do ambiente político, e fatores externos, como a queda da Bolsa de Valores na China. Anteontem (27), a Bolsa de Xangai caiu 8,48%, a maior queda em um dia desde 2007, por causa da divulgação de indicadores econômicos que mostram desaceleração da economia chinesa. Para Rochlin, a economia brasileira ainda deve sentir de forma mais intensa os impactos das oscilações da economia chinesa. Havendo, de fato, um problema maior em relação ao mercado chinês, isso deve contagiar a percepção de risco de grandes investidores internacionais, portanto, eles devem diminuir a exposição em relação a mercados emergentes. De acordo com Campos Neto, a desvalorização do real tem impacto no poder de compra dos brasileiros. É um movimento esperado, que sempre ocorre em momentos de ajuste como este. Da mesma forma que, na década passada, o real foi se valorizando em relação ao dólar e as famílias se sentiram mais ricas por conta disso, agora é movimento de ajuste inverso, explicou. Somado a este fato, o panorama local de contenção de crédito e aumento do custo de financiamentos criam um cenário negativo para o consumo em geral, acrescentou o economista, que considera o ano de 2015 "preocupante" do ponto de vista das famílias.