ECONOMIA
Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2009, 21h:31
A
A
VAREJO/MT
Desligamentos, inadimplência e falta de capital
Levantamento realizado junto aos executivos das principais redes de departamento de Mato Grosso revela o pessimismo do segmento ao mostrar a pior expectativa dos últimos anos para investimentos no Estado. A maioria não espera investir no primeiro trimestre de 2009 por conta da crise financeira. E mais: as empresas prevêem aumento do desemprego, da inadimplência e queda do crédito para o consumidor. Ailton Caselli, proprietário da maior rede de lojas de confecções da região o Grupo Caselli com 70 unidades distribuídas em oito Estados, decidiu adiar todos os investimentos programados para o primeiro semestre deste ano. Os investimentos estão travados porque os bancos não estão liberando crédito. Não há como arriscar neste momento, afirma o executivo, que em 2008 abriu 15 lojas e tinha planos de abrir mais seis em 2009. Não temos dimensão desta crise, por isso decidimos adiar [os investimentos], garantiu. Caselli acredita que a atual crise poderá puxar outros setores da economia. A rede Call Center, com 66 lojas em quatro estados, também optou por suspender temporariamente os investimentos. Vamos esperar esta nuvem negra passar, pois não estamos conseguindo enxergar do outro lado, afirma o diretor administrativo e financeiro do grupo, Juliano Zanatta. Segundo ele, a rede ainda não está demitindo porque aposta em uma melhora da economia. A rede planejava abrir pelo menos quatro novas lojas em 2009. Zanatta avalia que o momento não é bom para os investimentos. Acho muito perigoso pelo menos por agora, a menos que a empresa tenha recursos próprios para investir. Para o empresário Paulo Gasparotto, proprietário da Decorliz - rede de lojas de decoração, utilidades e perfumes por trás da cortina existe o perigo de recessão e desemprego, por isso os investimentos programados devem ser reavaliados. Adiamos a expansão da nossa rede. Tínhamos previsão de abrir mais duas lojas, mas tivemos que suspender. Gasparotto prefere aguardar para ver como o cenário ficará nos próximos meses. Por enquanto não há indicador favorável para que se faça nada neste momento. A hora realmente é para reduzir despesas. Estamos reciclando, treinando pessoal para melhorar o atendimento e evitar cortes. Segundo o vice-presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), Roberto Peron, o cenário para investimentos é de indefinição. Ninguém sabe dizer o que poderá acontecer, por isso os investidores estão tomando a decisão de adiar os projetos. Na opinião de Peron, o primeiro semestre do ano será decisivo para a definição do quadro. As informações de queda na produção são evidentes e o consumo deve cair. O momento realmente requer cautela e planejamento. SERASA A expectativa pessimista dos empresários mato-grossenses é confirmada pela pesquisa Expectativa Empresarial, da Serasa, mostrando que somente 36% dos empresários esperam aumento do faturamento em sua empresa no primeiro trimestre do ano. É o menor percentual já registrado desde 2006. No ano passado, os otimistas eram 61%. Em 2007, 53% aguardavam crescimento, contra 47% de 2006. Para o primeiro trimestre do ano, 35% esperam estabilidade e 29% apostam em queda do faturamento. Sobre investimentos, 57% das empresas disseram que não estão investindo no momento. Destas, 87% não pretendem investir no primeiro trimestre de 2009. Outras 36% vão manter e 14% vão diminuir o investimento no primeiro trimestre deste ano.