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ECONOMIA
Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2009, 00h:36

EFEITO MORALES

Custo um terço menor

Pantanal Energia quer reduzir despesas da usina térmica de Cuiabá com nova estratégia de atuação

MARIANNA PERES
Da Editoria
O modo de preservação ou de hibernação, como é chamado o estado de desativação da usina térmica de Cuiabá, a Mário Covas, deverá reduzir em cerca de um terço os custos que a Pantanal Energia – empresa-mãe do Projeto Integrado Cuiabá, contabiliza somente no quesito manutenção. A operação por meio da queima de óleo diesel foi mais uma vez descartada. A decisão de desativar ou não a planta, apesar de admitida pela primeira vez nesta semana pela direção da holding, ainda é cuidadosamente avaliada e não será tomada considerando apenas um cenário a curto prazo. Como explica o diretor-presidente da Pantanal Energia, Fábio Garcia, apesar de todas as tentativas para se restabelecer o fornecimento de gás à usina junto à Bolívia, de administrar uma empresa sem receita há dois anos, ele frisa que a desativação seria a última opção, já que a geradora está conectada às principais subestações da Grande Cuiabá, está sediada no maior centro consumidor do Estado e que Mato Grosso e o plano de desenvolvimento econômico do Brasil não podem prescindir dos cerca de 500 megawatts (mW) de energia produzidos em Cuiabá e de forma limpa, pois o gás natural é uma matriz nobre e desejada em todo o mundo. Ele lembra que a usina em carga máxima, 480 mW, supre, sozinha, 70% de toda demanda mato-grossense por energia. “A direção e os acionistas acreditam na viabilidade do projeto, não há dúvida de que ele (o gás) é um ativo de suma importância, principalmente para segurança energética do Estado, que estaria menos sujeita às ocorrências inerentes às linhas de transmissão. O que precisa ficar claro é que o maior custo é o da não confiabilidade na energia que afugenta investimentos, empregos e afeta a qualidade de vida das pessoas”. De olho num futuro praticamente a longo prazo – apesar de Garcia preferir adotar o termo médio prazo – a decisão de desativar estará latente na medida em que haja falta de perspectiva real de solução para retomada do fornecimento do gás. “Não tenho data para anunciar o que os estudos vão apontar e tampouco se o período de hibernação, caracterizado pela máxima redução da rotina de manutenção – será de fato adotado”. A segurança do executivo em relação à necessidade de manutenção – pelo menos mínima - das operações da usina, mesmo sem que haja geração de energia, está sustentada naquilo que ele define como a equação perfeita: “De um lado a Bolívia com os campos de produção de hidrocarbonetos mais atrativos da América Latina, e do outro, o Brasil, o mercado de energia mais competitivo da atualidade e com potencial promissor”. Sem revelar o tamanho do prejuízo global da Pantanal Energia nos últimos dois anos, Garcia faz questão de dizer que não demitiu funcionários, “uma mão-de-obra qualificada”, e manteve a empresa como uma das melhores para se trabalhar no Estado, considerando indicadores como salários, condições gerais de trabalho e segurança. “São 83 funcionários e quem deixou a Pantanal foi por livre iniciativa”. PLANTA – Quem conhece as instalações da térmica, localizada no Distrito Industrial de Cuiabá, dificilmente acredita que a planta esteja há mais de 24 meses parada por falta de gás natural. Toda a rotina diária de serviços e reparos está em execução permanente como se as turbinas estivessem acionadas e promovendo a combustão do produto. A unidade que foi a primeira do Brasil a operar com ciclo combinado – aproveita o gás e o vapor para gerar energia – e coleciona inúmeras certificações internacionais promove, sustenta diante do Projeto Integrado Cuiabá (usina mais o gasoduto), a viabilidade do gás natural em Mato Grosso. “Sem a demanda de 2,2 milhões de metros cúbicos diários de gás pela usina, o mercado não se sustenta. Se os despachos retornassem hoje, em 24 horas estaríamos gerando energia para o Estado”. O ciclo combinado de gás com vapor é tido como umas das tecnologias mais eficientes adotadas por este tipo de empreendimento e a térmica de Cuiabá é altamente eficiente. “Em função de sua tecnologia e da segurança que traz ao sistema e pelo mercado promissor do país, a unidade não está obsoleta, mesmo com um Mato Grosso livre das ameaças energéticas da década de 90”.

Edição EDIÇÃO 16967




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