ECONOMIA
Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008, 22h:48
A
A
CRISE/EUA
Cuiabá discute os impactos e firma pacto para próximo ano
Seminário Cuiabá e a Crise trouxe nomes renomados à Capital. Nova edição marcada para 2009
MARIANNA PERES
Da Editoria
O impacto da crise mundial sobre a Capital e a atividade econômica local foi o tema do seminário Cuiabá e a Crise realizado ontem, no Centro de Eventos do Pantanal, na Capital. O evento, promovido pela prefeitura municipal, reuniu especialistas renomados do País na economia e política e nos negócios. O dia foi reservado à reflexão e proposição de ações contra os efeitos da convulsão financeira, nascida nos Estados Unidos, e que se espalha aos cinco continentes e que vai afetar e, muito, e já em 2009, quem depende de recursos externos para produzir. Choque de gestão e diversificação da produção foram apontas como caminhos que poderão amenizar impactos a partir do próximo ano. Ao final, todos os participantes redigiram a Carta de Cuiabá, que traçou todos os caminhos que deverão ser seguidos por todas as esferas da sociedade, desde os poderes Executivo e Legislativo aos segmentos produtivos. Ou seja, uma união de esforços entre poder público e iniciativa privada. Cuiabá se antecipa e sai na frente quanto às discussões da crise mundial. A afirmação é do economista Paulo Rabelo de Castro, autor do livro A Bolha de Wall St, que abriu o seminário. Ele defendeu a necessidade de a família se sentar, conversar e planejar tudo para que consiga superar esse período difícil. A iniciativa do prefeito Wilson Santos antecipa as discussões e até o levantamento dos impactos da crise em Mato Grosso, disse, acrescentando que é preciso ter organização para o Brasil superar este momento. Trabalho, estudo, treinamento e pesquisa são técnicas que temos de ter. Afinal, temos uma crise de crédito que se espalha rapidamente em maior ou menor proporção por todo o mundo globalizado. A boa notícia do evento veio do diretor articulista institucional do Ministério das Cidades, Sérgio Antônio Gonçalves, que afirmou que os recursos do PAC serão mantidos, independente da crise. A área de saneamento vivia em função da exportação. Nós acreditamos que essa injeção que o governo federal faz estruturada não é pontual e nem momentânea, mas vai ajudar o Brasil a se organizar. O Brasil precisa de vários PACs, concluiu. RECADO O prefeito Wilson Santos disse que o Estado precisa acordar, pois vive quase à mercê de uma monocultura. Estamos embolados, porque vivemos numa economia quase que de monocultura. Nossa economia precisa ser diversificada. Como disse doutor Adriano Figueiredo, da UFMT, há uma dependência forte da economia mato-grossense das decisões externas, de fatores alheios à nossa vontade e forças. Ficamos muito nas mãos dessa dependência, e assim precisamos repensar essa dependência. Esse caminho da monocultura - sublinha o prefeito - só visa lucros e mais lucros. Há empresários que nunca colocaram os pés aqui, que sequer conhecem Cuiabá. Os novos rumos da economia mato-grossense podem abraçar a diversificação. Temos jazidas de granito, bauxita e uma série de riquezas incomensuráveis no Estado e que precisam ser exploradas. Santos é de opinião de que as crises podem gerar idéias que se situam no plano da clareza e das soluções. Quero ainda dizer que concordo plenamente sobre as idéias que surgem nos momentos de crise. A necessidade de encontrar solução para determinada estratégia já fez e continua fazendo com que idéias sejam fecundadas em projetos aprimorados tecnologicamente. Nas guerras surgiram grandes idéias, pois era imperioso resolver aquela situação. O prefeito ainda ironizou que a Petrobras esteja hoje anunciando situação financeira difícil, pires nas mãos, quando anunciava, há pouco, um superávit bilionário. Como é que a Petrobras - que anunciou lucro recorde de R$ 10 bilhões - vai à CEF buscar recursos? O senador Tarso encontrou uma série de contradições na administração da Petrobras.