ECONOMIA
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 21h:14
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GRUPO NAOUM
Crise afeta economia de Jaciara
NAÍLA ALBUQUERQUE
Da Reportagem/Rondonópolis
Com 3,3 mil trabalhadores das usinas Pantanal e Jaciara com os salários atrasados, o comércio de Jaciara (144 quilômetros ao sul de Cuiabá) já sente o abalo na economia com a falta de circulação de moeda. O prefeito Max Russi disse que contas de água, luz e até mesmo o comércio da cidade foram afetados por um clima de desânimo. Ele explica que são muitos profissionais com as contas em atraso e sem dinheiro para dar giro na economia local e, por isso, o que acontece nas usinas reflete em Jaciara. Só nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, somados, a arrecadação caiu R$ 500 mil em comparação ao primeiro bimestre do ano passado. A folha de pagamento está estimada em mais de R$ 6 milhões, mas não foi confirmada pelo Grupo. A situação pode se agravar ainda mais, já que, segundo assessoria do Grupo Naoum, não há previsão para o pagamento e nem para retomada das atividades da usina. Para Max, Jaciara passa por uma situação muito delicada, pois era o momento de o município, através da Secretaria de Ação Social, desenvolver projetos de renda alternativa e de cunho social, mas os cofres públicos também sofreram perdas. As usinas são a maior fonte pagadora de imposto (ISS) da cidade, ou seja, não estamos arrecadando o quanto imaginamos. Estamos amarrados e está difícil implantar programas de ajuda à população. Tem trabalhador da usina que já não tem dinheiro para a comida da família. A situação está crítica e Jaciara está sofrendo com isso. Os profissionais da usina já interditaram a BR-364 na tentativa de reivindicar e protestar contra o atraso no pagamento dos salários, porém o Grupo Naoum, detentor das duas usinas, está em processo de Recuperação Judicial e é preciso aguardar os tramites legais para que a Justiça analise se a empresa ainda tem possibilidade de voltar a funcionar. O procurador do trabalho do MPT de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) e região, Paulo Douglas Almeida de Moraes, disse que se até maio a empresa não se recuperar judicialmente será decretada a falência do Grupo e só então os trabalhadores poderão ter a chance de entrar na Justiça e receber todos os direitos trabalhistas. Para o procurador, a situação dos trabalhadores é crítica, porém ele acredita que se o Grupo decretar falência será melhor para os trabalhadores, porque receberão todos os seus direitos. Se decretar falência, será menos traumático do que ficar esse tempo todo sem receber. No caso da falência, receberão todos os direitos, pontuou. Os trabalhadores interditaram na semana passada a BR-364 reivindicando mais uma vez o pagamento dos salários em atraso, que são o de fevereiro, março e 70% da folha de janeiro.