ECONOMIA
Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010, 19h:39
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3° TRIMESTRE
Crescimento econômico vai se acelerar, diz Meirelles
Apesar da certeza, o presidente do BC deixa claro que controle da inflação é prioridade
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o crescimento econômico vai se acelerar no terceiro trimestre. "Haverá uma recuperação - a questão é para qual nível de atividade e inflação", disse o presidente do Banco Central. Meirelles observou que a economia mundial, inclusive a brasileira tem, nesse período atual, uma volatilidade maior do que nos períodos usuais, exatamente pela quantidade maciça de estímulos fiscais, monetários e de liquidez que foram introduzidos nas economias do mundo todo para lutar contra a crise e também em função da retirada ou reintrodução desses estímulos em alguns países. "O importante é que os analistas olhem isso com muito cuidado e não vejam nenhuma situação como permanente", observou. Meirelles ressalta também que "a ata do Copom reflete uma visão no dia da reunião do Copom. Ele disse que os riscos (destacados na ata do último encontro) continuaram existindo, tanto que o Banco Central subiu a taxa de juros em 50 pontos na reunião de julho, depois de ter subido 150 pontos. "Portanto, uma subida de 200 pontos foi porcentualmente em relação à Selic que prevalecia no início do processo, foi a subida mais rápida de todo esse período de sete anos e meio no BC", comentou. "Foi um dos movimentos mais agressivos do mundo. Portanto, o BC está sempre preocupado com a inflação". Em resposta sobre como será a economia no segundo semestre - se passará por um cenário de economia acomodada sem pressão inflacionária ou pode acontecer o cenário de aceleração da economia rapidamente com pressão inflacionária, Meirelles disse que "esse é exatamente o segredo das projeções". "Existem fatores trabalhando nas duas direções. O que não podemos é super simplificar. Exagerar um lado da questão ou outro lado", disse. Meirelles citou que de um lado temos fatores que continuam existindo, como o emprego forte, a renda e o crédito, que está crescendo. E lembrou que temos fatores transitórios, por exemplo, a retirada dos estímulos que levou à antecipação de compras. Por outro lado, a volta do imposto não é transitória. O presidente do BC destacou ainda que os cortes dos juros feitos pelo BC no primeiro semestre de 2009 tiveram efeito máximo no primeiro trimestre deste ano. "De lá para cá, o BC subiu as taxas em 200 pontos e isso não é transitório", observou. Meirelles disse que a economia vai se recuperar. "E precisamos olhar com muita moderação e serenidade, essa recuperação", disse.