A crise na Europa ainda não interferiu na expansão do crédito no Brasil, patrocinada pelo crescimento da economia doméstica, renda e emprego. Os números do mercado de empréstimos que o Banco Central divulgará na próxima quarta-feira devem apontar alta nos volumes e manutenção da tendência de queda da inadimplência, iniciada em setembro do ano passado. No entanto, o mesmo crescimento que impulsiona a demanda por crédito está se configurando como a maior ameaça para o segmento, que pode ser afetado por medidas que o governo tende a tomar para frear a expansão, como novas altas dos juros e aumento do compulsório. Números da Serasa Experian mostram que a taxa de inadimplência caiu 1% em abril ante março e 0,6% em 12 meses. De janeiro a abril, a taxa recuou 5,2%, a maior queda do primeiro quadrimestre dos últimos dez anos. Os bancos, por sua vez, mantêm projeções de alta de até 25% no total de empréstimos em 2010, número que já incorpora um aperto monetário até o final do ano. Os dados que apontam queda da inadimplência mostram que as estimativas feitas no ano passado por executivos de instituições financeiras estavam corretas.