ECONOMIA
Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011, 19h:57
A
A
MATO-GROSSENSE
Consumo está aumentando
E a inadimplência está em queda. Na comparação entre janeiro de 2010 e janeiro deste ano, o montante das inclusões de consumidores inadimplentes caiu 35,91%
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O saldo do endividamento da população mato-grossense no período de cinco anos janeiro de 2006 a janeiro de 2011 - mostra que o nível de consumo está aumentando e a inadimplência mantém curva indicando queda. Segundo levantamento do Sistema Crediconsult, da Federação das Associações Comerciais do Estado de Mato Grosso (Facmat), no acumulado de meia década o endividamento do consumidor atingiu o montante de R$ 342,649 milhões, totalizando 982.372 inclusões. Na comparação entre janeiro de 2010 e janeiro deste ano, o montante das inclusões de consumidores inadimplentes caiu 35,91%, recuando de 31.193 registros para 19.993 nos dois meses. Em valores monetários, a inadimplência caiu de R$ 9,104 milhões para R$ 5,671 milhões, redução percentual de 37,71%. Em número de exclusões consumidores que saíram da situação de inadimplência houve uma queda de 3,24% entre os dois meses. O levantamento mostra que, em janeiro deste ano, 19.213 consumidores procuraram as lojas para quitar suas dívidas, contra 19.856 em igual mês do ano passado. A baixa da inadimplência foi de 7,651 milhões em janeiro do ano passado e de R$ 6,001 milhões, no primeiro mês de 2011. O diretor da Facmat, Manuel Gomes, avalia o primeiro mês do ano como positivo para o comércio e para o consumidor, que teve a oportunidade de consumir mais sem exagerar nas dívidas, dentro de planejamento orçamentário balizado na sua capacidade de pagamento. Ele atribui o bom resultado ao melhor controle por parte do consumidor e mais facilidades das lojas para negociação e parcelamento das dívidas aos clientes inadimplentes. Se traçarmos um paralelo entre o que o mercado oferece e o que o consumidor quer comprar, está havendo melhor administração do orçamento e as pessoas têm procurado gastar com a preocupação de quitar suas dívidas, mesmo porque o mercado tem apresentado inovações e produtos que garantem mais conforto. Segundo ele, as pessoas hoje estão mais conscientes e atentas à questão financeira e sabem que o endividamento desenfreado não é bom. A população finalmente consegue dosar o nível consumo à sua real capacidade de pagamento, pois sabe que a adimplência oferece muitas oportunidades de aquisição em condições atrativas, frisa Gomes. Para ele, o consumo tende a continuar aquecido, mesmo porque o mercado é inovador. ECONOMISTAS Na avaliação dos economistas, a população não deve se assustar com o endividamento no começo do ano, normais em função de despesas como impostos (IPVA e IPTU), matrículas e materiais escolares. Mas a população deve tomar cuidados para não se complicar e se encalacrar com novas dívidas, afirma o consultor e analista de crédito Marcos Henrique Silveira. Ele diz que este ano a situação dos trabalhadores pode se agravar devido ao efeito carnaval, que em 2011 ocorrerá um pouco mais tarde na primeira semana de março. Silveira avalia que 2010 foi um bom ano para os trabalhadores em termos de renda, acesso ao crédito e emprego. O resultado deste quadro foi o aumento do consumo. Dora Ramos, especialista em contabilidade e diretora da Fharos Assessoria Empresarial, também acha que o aumento do consumo se deve ao otimismo do consumidor e às facilidades de obtenção de crédito. As compras de Natal foram potencializadas em 2010 por conta do clima otimista em relação ao mercado, o que contribuiu para que as pessoas aproveitassem promoções e utilizassem uma maior porcentagem do 13º salário para presentear ou viajar. Além disso, as facilidades de pagamento a prazo oferecidas por bancos e pelo comércio estimulam ainda mais as compras excessivas, complementa.