ECONOMIA
Sábado, 21 de Maio de 2011, 12h:57
A
A
Comércio sente a desaceleração
A inflação é uma das principais preocupações do governo federal. Para freá-la vem tomando medidas para conter o consumo e a mais tradicional delas é elevar o custo do crédito e a taxa básica de juros, a Selic. De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojista (CDL) de Cuiabá, Paulo Gasparoto, as medidas de contenção de consumo adotadas já estão surtindo efeito, com repercussão nas vendas. O comércio já está sentindo a desaceleração do consumo, diz. Em abril, segundo ele, o incremento das vendas ficou 6,4%, abaixo do índice de 2010. Taxas de crescimento de 8%, 9% e 10% dificilmente serão alcançadas a partir de agora. Para ele, 2010 foi um ano extraordinário para vendas. Mas, preferimos vender menos, sem corrermos o risco de inflação alta. Não é interessante para o comércio ter taxas de crescimento elevada e, ao mesmo tempo, consumidores endividados e sem capacidade de crédito. Gasparoto diz que o comércio está preparado para a nova realidade. O empresário está capitalizado e em condições de enfrentar uma possível desaceleração. Acredito que se todos derem uma parcela de colaboração a inflação volta ao centro da meta no segundo semestre do ano. Para o presidente da CDL, os produtos que vão sentir mais os efeitos das medidas anticonsumo são os bens duráveis, eletrodomésticos e veículos. MEMÓRIA Na opinião do vice-presidente da Federação do Comércio do Estado, Roberto Peron, o brasileiro ainda preserva a memória inflacionária, um efeito mais psicológico do que real sobre a inflação. Para ele, a inflação existe, mas não é tão preocupante como vem sendo colocada pelo governo federal. Ele também aponta que a União tem adotado medidas de controle e redução das facilidades de crédito, como a redução dos prazos de financiamento e a elevação das taxas de juros. Peron entende que o consumidor precisa planejar melhor seus gastos e evitar o endividamento desnecessário. Ele diz que o comércio está preparado para absorver as medidas do governo e recomenda cautela por parte dos empresários: O comércio deve evitar grandes estoques e comprar só o necessário. SERVIÇOS O setor de serviços vem exercendo as principais influências sobre a disparada da inflação, o que preocupa os economistas. A preocupação é que o pensamento dos consumidores e de empresários com o possível avanço da taxa da inflação gere aumento de preços antecipados. O cidadão comum não entende o fenômeno mês a mês ou acumulado. Ele acaba retro-alimentando as pressões inflacionárias sem que elas já estejam atuando, disse o economista Niedson Marques. FANTASMA Em meados da década de 80 até início dos anos 90, o Brasil viveu um período de intensa pressão inflacionária. Os preços dos supermercados, por exemplo, subiam diariamente e havia uma corrida às compras como forma de evitar os preços remarcados do dia seguinte. Além das altas impetuosas, houve momentos de escassez e racionamento nas vendas de alguns alimentos, como o leite, limitado por pessoa. Para driblar índices acima de 1.000%, vários planos econômicos foram apresentados, o dinheiro brasileiro mudou de nome inúmeras vezes e apenas com a implantação do real, a partir de junho de 1994, é que se deu início ao processo de estabilização da economia. (MM)