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ECONOMIA
Domingo, 13 de Setembro de 2009, 00h:59

Comércio registrou retração nos investimentos e alta no desemprego

O comércio foi um dos setores mais afetados pela crise. O crédito ficou escasso, as taxas de juro aumentaram e os prazos de financiamento de bens duráveis e automóveis, por exemplo, ficaram mais curtos. Uma combinação perfeita para inibir vendas, retrair investimentos e fomentar o desemprego. “De fato, tivemos importantes perdas especialmente no primeiro semestre do ano. Os investidores se retraíram, vimos grandes grupos adiarem seus investimentos. A crise atingiu em cheio as lojas e fez encolher o número de empregados para a adequação da folha de pagamento ao momento de aperto financeiro das empresas. Centenas de empregos também deixaram de ser gerados em função dos projetos adiados”, avalia o vice-presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), Roberto Peron. A crise gerou a pior expectativa dos últimos anos para a expansão dos investimentos comerciais, levando as principais redes de departamento do Estado a suspender temporariamente seus investimentos em 2009. Ailton Caselli, dono da rede de lojas Tecelagem Avenida, decidiu adiar os investimentos programados para o primeiro trimestre de 2009 por conta da crise financeira. Em 2008 o grupo abriu 15 lojas e tinha planos de abrir mais oito em 2009 (investimentos de R$ 20 milhões). A rede de calçados Call Center, com 66 lojas em quatro estados, também optou por suspender temporariamente seus investimentos no começo do ano. O grupo previa abrir 10 lojas este ano (investimentos R$ 5 milhões), mas recuou em alguns projetos. A Decorliz também foi obrigada a reavaliar os investimentos programados para este ano. A empresa tinha previsão de abrir mais duas lojas, mas no começo do ano decidiu postergar a expansão por causa da crise. A Milan Móveis, que fabrica móveis para escritórios e escolas, foi outra empresa que decidiu adiar seus investimentos no primeiro semestre. A empresa planejava ampliar suas instalações, adquirir novos equipamentos, fazer a modernização tecnológica e aumentar a produção. “Adiamos, mas já retomamos os investimentos, afirma o empresário Jandir Milan”. Para Roberto Peron, o cenário para investimentos no começo do ano foi de indefinição, daí a explicação para a retração nos investimentos e também para a expansão de lojas. No caso das micro e pequenas empresas, apesar do aumento no custo operacional, houve uma garantia de venda por causa do aumento do poder aquisitivo da população. “Por mais que tenha havido crise, a base salarial não deixou de crescer e o ganho foi canalizado para o consumo”, analisou Peron. A partir do segundo semestre, segundo ele, o comércio se refez da crise em função dos bons resultados do agronegócio.(MM)

Edição EDIÇÃO 16962




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