ECONOMIA
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009, 20h:22
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ITAIPU/ENERGIA
Cemat diz que valores serão negociados em nível federal
Oferta direta do Paraguai poderá onerar tarifa interna, como preveem analistas
MARCONDES MACIEL
Da Redação
A Centrais Elétricas Mato-grossenses-Cemat, expediu ontem comunicado informando que a negociação sobre o valor adicional a ser pago pela energia gerada na hidrelétrica binacional de Itaipu está sendo tratada diretamente pelos governos do Brasil e do Paraguai. De acordo com informações da agência de notícias do governo brasileiro, a Agência Brasil, o aumento do valor pago pelo Brasil ao Paraguai não implicará na elevação da tarifa de energia elétrica no país. As distribuidoras de energia cumprirão o que for determinado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão do governo que regula o setor elétrico, informou o comunicado da Cemat. Segundo a diretoria brasileira de Itaipu, a tarifa da usina para o Paraguai este ano é de US$ 48/MWh. As grandes indústrias estariam dispostas a pagar até US$ 55/MWh, que ainda assim a oferta da hidrelétrica estaria mais competitiva do que os preços verificados no Brasil. De acordo com executivos da Itaipu, nem a instabilidade paraguaia inibiria a contratação direta da Administración Nacional de Electricidad (Ande), a estatal paraguaia da energia. Isso, entretanto, não chega a assustar porque a Ande terá que seguir as regras de comercialização do mercado brasileiro. De acordo com os técnicos do governo federal, o aumento previsto no repasse do Brasil para o Paraguai deverá ser absorvido integralmente pela Eletrobrás, o que forçará os resultados da estatal do setor elétrico para baixo. Uma forma de minimizar essa potencial perda é a exclusão da Eletrobrás da conta do superávit primário. A holding do setor elétrico ainda poderia ter acesso mais rápido a empréstimos para financiar as obras que toca, pois o fundo garantidor aprovado na semana passada não seria suficiente para bancar toda a expansão planejada. Para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, não há problema do governo brasileiro pagar mais pela energia em uma época de crise como a que o mundo vive hoje. Porém, ele defende essas mudanças, senão essa conta será paga pelo acionista da Eletrobrás. TARIFAS O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, garantiu ontem que as tarifas de energia não serão reajustadas por conta do acordo fechado entre o governo brasileiro e paraguaio. Lobão disse que o Ministério da Fazenda está estudando o impacto da medida, mas disse que a saída provavelmente será a alteração no cálculo dos juros da dívida. IMPACTO - Itaipu representa quase 20% do consumo total de energia do país, e a oferta da usina está na base da modicidade tarifária do sistema brasileiro. Com a entrada da Ande no mercado energético, analistas do segmento crêem que na migração dos clientes de energia do cativo para os clientes livres. O coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel/UFRJ), Nivalde de Castro, argumenta que dificilmente o governo conseguirá adicionar outra oferta barata no portfólio das distribuidoras. "Se a energia sai do cativo, o governo federal corre o risco de colocar outra mais cara no lugar. Os leilões mostram isso. O Brasil está contratando térmicas caras, sem nenhuma ligação com a tradição da matriz elétrica brasileira", explica De Castro. (Com Agência Brasil)