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ECONOMIA
Quarta-feira, 28 de Junho de 2006, 20h:34

Cautela será a tônica contra os calotes

Agir com a máxima cautela e exigir adiantamento de parte do pagamento no ato da assinatura dos contratos com os partidos, coligações e candidatos. Essa é a recomendação do Sindicato das Indústrias Gráficas de Mato Grosso às empresas que irão trabalhar na produção de materiais gráficos nas eleições majoritárias de 2006. “Toda cautela é pouca. As empresas deverão trabalhar com a máxima seletividade e só pegar serviços com garantia de recebimento. Estamos recomendando inclusive o pagamento adiantado de uma parte do valor contratado”, orienta o presidente do sindicato, Lídio Moreira dos Santos. Segundo ele, em todas as eleições sempre há problemas e muitas empresas acabam tendo prejuízos. “Notamos, entretanto, que os prejuízos têm diminuído a cada pleito porque as empresas estão procurando ser mais criteriosas e seletivas na hora de assinar um contrato”, diz. Moreira acredita que a inadimplência na mídia impressa das gráficas em períodos eleitorais gira em torno de 10% (cerca de R$ 2 milhões nas eleições de 2004). A Gráfica Print, com 12 anos de atuação no mercado, foi uma das empresas que sofreram calote nas últimas eleições. Só de créditos a empresa tem um volume de R$ 570 mil a receber de candidatos, partidos e coligações. A maior parte das dívidas foi contraída pelo Partido dos Trabalhadores (PT), nas eleições para prefeito e vereador. “O processo já tramitou na Justiça e ganhamos a causa. Agora estamos aguardando o recebimento”, conta o empresário Dalmi Júnior. Os serviços que originaram esses créditos são referentes à produção de materiais como cartões, adesivos, santinhos, outdoors, folhetos e informativos. Por conta desta dor de cabeça, a Print avisa que só fará negócios à vista ou, no mínimo, com o pagamento de pelo menos 50% do valor dos serviços contratados. “Temos que agir dessa forma para nos resguardar e nos precaver de possíveis calotes”, justifica. Dalmi informou que 60% dos custos dos serviços são referentes à matéria-prima e 30% com mão-de-obra e outras despesas e encargos. “A nossa margem de lucro é mínima, não passa de 12%”, garante. O proprietário da Gráfica Atalaia, Leonir Rodrigues da Silva, concorda que todo cuidado é pouco na hora de fechar um contrato. “Temos exemplos recentes de calotes e não vamos nos expor nas eleições deste ano. Vamos trabalhar com maior segurança e fechar contratos só com adiantamentos”, afirma o empresário. Para o dono da Gráfica Genus, Lídio Moreira, a situação exige muita cautela porque é comum no final da campanha alguém deixar de cumprir seus compromissos. “Nós vamos trabalhar só com pagamento à vista ou adiantamento, mas vai depender da negociação e do cliente. Já experimentei o dissabor do calote e nestas eleições vamos ficar mais atentos”, diz ele.(MM)

Edição EDIÇÃO 16968




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