Centenas de catadores de castanha-do-brasil em Mato Grosso reclamam contra o pagamento de 30% do que colhem aos proprietários das áreas onde trabalham. Temendo retaliação por parte do Ibama e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) os catadores não querem se identificar, mas o protesto é feito por extrativistas que trabalham nos municípios de Cláudia, Nova Santa Helena, Itaúba, Sinop e Colíder, na região norte ou Nortão de Mato Grosso, onde há grande densidade de castanheiras, espécie protegida pela legislação ambiental nacional. Os catadores mantêm barracas de vendas ao longo da rodovia Cuiabá-Santarém nos municípios onde colhem e em outros na região. O mercado da castanha é muito disputado e o valor agregado do produto é baixo. Em média, o saco de 5 kg é vendido por R$ 20 no varejo, mas seu preço despenca quando se trata de comércio atacadista para atravessadores que desovam o produto em Cuiabá, Rondonópolis e fora de Mato Grosso. A categoria dos catadores é desorganizada em termos sindicais e não tem força para reivindicar direitos. Tanto os que trabalham na cata da castanha quanto em sua venda temem conversar com jornalistas e usuários da rodovia. Tem gente que encosta o carro só pra criticar a gente; alguns dizem que somos destruidores da floresta, lamenta uma vendedora que tem barraca em Itaúba. Os catadores querem discutir a redução do percentual pago aos proprietários das terras, para que a atividade se torne lucrativa e assegure condições dignas de vida. Da maneira como trabalhamos a castanha é quase inviável; a gente somente continua nesse trabalho porque não tem saída, sintetiza um dos catadores.