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ECONOMIA
Quarta-feira, 23 de Maio de 2007, 20h:18

GRÃOS

Capacidade cresce 43%

Armazenagem estática da Conab em MT evoluiu em 7 milhões/t nos últimos dois anos, mas déficit isolado preocupa produtores

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Detentor da maior produção agrícola do país, Mato Grosso conta com uma capacidade estática para armazenar as 23 milhões de toneladas (t) previstas para a safra 06/07. “Em termos nominativos não há déficit de armazéns em nosso Estado, pois a nossa capacidade de estocagem cobre a estimativa para a safra deste ano”, diz o superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Estado, Ovídio Miranda. Nos últimos dois anos (2005/07), a Companhia ampliou o número de armazéns cadastrados em pouco mais de 43%. Como destaca Miranda, no final de 2005 a capacidade de estocagem da Conab em Mato Grosso “era de 16 milhões/t e passamos agora para 23 milhões/t, ampliando para mais 7 milhões/t”. Segundo ele, o problema da falta de armazéns em Mato Grosso é localizado e pontual. “Existem regiões auto-suficientes em armazéns, mas em alguns municípios pode ocorrer déficit. O problema é pontual e afeta apenas algumas regiões”. Levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aponta déficit de armazéns nas regiões de Canarana, Água Boa, Gaúcha do Norte, Confresa, Porto Alegre do Norte, São José do Xingu, Comodoro, Vera, Brasnorte, Porto dos Gaúchos, Tapurah, Cláudia, Boa Esperança e Paranaíta. Estes municípios estão localizados distantes das unidades armazenadoras e podem ter problemas de estocagem no período da safra. O superintendente da Conab informou que das 23 milhões de toneladas de grãos, 15,27 milhões/t correspondem à soja. “Deste total, 85% já foram negociados, sendo que 35% da soja comercializada já foram escoados para outras regiões”. Além da rápida liquidez da soja – produto que normalmente não chega a ficar por um longo período nos armazéns – a Conab trabalha com previsão de tirar 2 milhões de toneladas de milho de Mato Grosso neste ano. A companhia estima ainda que 30% da produção de milho da atual safra – ou cerca de 1,2 milhão de toneladas - já tenham sido negociados em vendas futuras e serão escoados rapidamente. “Assim, de um total de 4 milhões de toneladas previstas, 3,2 milhões/t deverão sair do Estado, liberando o espaço nos armazéns”. MAIS ESPAÇO - Segundo Ovídio Miranda, o governo federal vem procurando incentivar a construção de novos armazéns por meio de linhas de financiamento como o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), porém a decisão de construir cabe à iniciativa privada. PRIORIDADE – A Câmara de Desenvolvimento Agrícola (CDA) da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Seder) também tem procurado priorizar a análise e aprovação de cartas-consultas para financiar a construção de novas unidades armazenadoras no Estado. Só no ano passado, de acordo com informações da Seder, foram apreciadas e aprovadas, pela câmara, mais de 50 cartas-consultas, totalizando investimentos próximos de R$ 100 milhões. Os projetos aprovados pela CDA prevêem a expansão da capacidade armazenadora do Estado em mais de 1 milhão de toneladas. A CDA está recebendo em média seis cartas-consultas toda semana, propondo a construção de armazéns em Mato Grosso. “Estamos trabalhando em ritmo acelerado e procurando priorizar a análise das cartas”, informa o coordenador do FCO Rural na CDA, Dimas Gomes Neto. Ele acredita que se o trabalho continuar nesse ritmo e se pelo menos 50% das propostas encaminhadas pela Câmara forem aprovadas pelo Banco do Brasil, num prazo de até seis anos o problema de armazenamento poderá estar resolvido em Mato Grosso.

Edição EDIÇÃO 16967




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