ECONOMIA
Sábado, 16 de Janeiro de 2010, 16h:42
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Câmbio baixo impõe perda de rentabilidade
A baixa cotação do dólar em relação ao real deverá decretar baixa rentabilidade ao produtor nesta safra (2009/2010). Dificilmente os produtores terão prejuízos, mas com certeza o ganho com a soja será menor em 2010, afirma o analista de mercado Eduardo Godoy, da AgRural. Segundo ele, câmbio baixo significa preço baixo ao produto. Quando temos dólar baixo, há desestímulo por parte dos importadores e o nosso produto perde competitividade no mercado internacional. O ideal, avalia, seria o produtor plantar e colher com câmbio no mesmo patamar. Nesta safra, contudo, o produtor enfrentou situação adversa duas vezes: plantou com dólar caro e venderá com dólar barato, afirma o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Carlos Favaro. Para Eduardo Godoy, o mercado deu várias oportunidades para que o produtor vendesse antecipadamente. Metade da safra teve proteção de preço. Para o produtor que não travou preços no mercado futuro, a situação depende de uma recuperação do dólar ou dos preços em Chicago. Se acontecerem as duas coisas, melhor para o produtor. Godoy lembra que com frete em real e a formação de preço em dólar, quanto mais fortalecido o real frente ao dólar, pior para a logística de Mato Grosso e para o frete. O real valorizado é um veneno para a nossa logística, acentua. O analista diz que, apesar da instabilidade do câmbio e dos baixos preços em Chicago, o cenário atual está muito próximo do ponto de equilíbrio, onde os custos se igualam com a receita. Se a comercialização da soja fosse hoje, os produtores ainda teriam um pequeno ganho, em torno de R$ 150 por hectare. Na avaliação dos especialistas de mercado, com dólar abaixo de R$ 1,80 há tendência de queda na rentabilidade da cultura. Também não há recursos públicos garantidos, já que a soja é considerada pelo governo federal como a cultura de maior liquidez e margem no mercado. O clima é de cautela, acentua. (MM)