ECONOMIA
Segunda-feira, 04 de Janeiro de 2010, 23h:03
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EXPORTAÇÕES
Brasil tem maior tombo desde 1950
Os números apresentados ontem pelo MDIC revelam também que o superávit de US$ 24,61 bi é o pior resultado obtido no governo Lula
O impacto da crise financeira internacional no comércio mundial provocou o maior tombo das exportações brasileiras em um único ano desde 1950, quando teve início a série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações brasileiras caíram 22,2% em 2009, como reflexo da retração da demanda mundial. A balança comercial fechou o ano com um superávit de US$ 24,615 bilhões, o menor saldo desde 2002, quando as exportações superaram as importações em US$ 13,130 bilhões. Trata-se do pior resultado em todo o governo Lula. Conforme levantamento divulgado ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o superávit foi 1,4% inferior ao apurado em 2008. O pior ano para as exportações brasileiras, até então, tinha sido em 1952, quando as vendas externas do País caíram 19,8% em relação ao ano anterior, segundo os dados divulgados ontem pelo MDIC. Em 1999, ano de crise econômica no Brasil que levou à mudança do regime cambial, as exportações haviam caído 6,1%, o pior desempenho desde o início do Plano Real. Em 1990, no início do governo Collor, as exportações tiveram queda de 8,6%, também em relação ao ano anterior. O desempenho das exportações em 2009, que atingiram US$ 152,252 bilhões, também ficou abaixo dos US$ 160 bilhões projetados inicialmente pelo MDIC. A área técnica já tinha prevenido, no ano passado, que não seria possível atingir esse saldo das exportações. Com o desempenho, o saldo comercial de 2009, que foi positivo em US$ 24,615 bilhões, é o pior superávit registrado pela balança comercial brasileira desde 2002, quando o saldo foi positivo em US$ 13,195 bilhões. Muito mais que o saldo total da balança comercial, o desempenho das exportações é fundamental para um retrato da economia. Em 2009, o que sustentou a atividade econômica foi o mercado interno, responsável pela retomada do crescimento econômico depois dos impactos da crise financeira internacional. Com relação às importações, que fecharam 2009 em US$ 127,637 bilhões, foi verificada uma queda de 25,3% em relação ao ano anterior. Esse é o segundo pior desempenho desde 1953, quando as importações registraram queda de 33,5% ante o ano anterior. Para 2010, o Banco Central prevê exportações de US$ 170 bilhões e importações de US$ 155 bilhões, o que resultará em um superávit menor, de US$ 15 bilhões.