ECONOMIA
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008, 20h:57
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CRISE - II
Bovespa tem a maior queda em 10 anos
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem em queda de 9,36% e 334.362 pontos, a maior em mais de dez anos. Às 14h49, o pregão ficou paralisado durante 30 minutos após o Ibovespa, índice da bolsa, apontar queda de 10% em relação à última marca de sexta-feira. A Bolsa acumulada perda de 17% no mês e de 28% no ano. As ações que mais caíram foram as da Rossi Resid e da BMF Bovespa: 21,06% e 20,21%, respectivamente. O volume negociado foi de R$ 5.780.202.507,00. O dólar fechou em alta de R$ 1,96, numa ascensão de 6%. A forte queda no mercado acionário ocorreu após a rejeição, pelos deputados norte-americanos, do pacote de ajuda proposto pelo governo George W. Bush, que prevê o desembolso de US$ 700 bilhões para socorrer bancos dos Estados Unidos, comprando "títulos podres". "Foi um dia atípico e um caso especial em que não é possível prever o que acontecerá daqui para frente", diz Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). De acordo com ele, a crise pode desacelerar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para o economista, os bancos brasileiros, e o país como um todo, estão em situação favorável perante os norte-americanos em termos de capitalização, porque aqui os empréstimos não são tão vultosos quanto lá. "Além disso, não concentramos os investimentos em uma única carteira como os americanos costumam fazer". Segundo Ricardo José Almeida, professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), a crise não se deve apenas ao boom do crédito imobiliário, mas é um reflexo da situação política dos Estados Unidos, que vivem a reta final da disputa eleitoral entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain. "Este é um momento de extremo pessimismo e não pensei que fosse chegar até este ponto. A tendência é que a Bovespa sofra ainda mais", diz Almeida.