ECONOMIA
Sábado, 02 de Agosto de 2008, 13h:59
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INTERNACIONAL
Bolívia: próximo e também distante
País andino celebra 173 anos de Independência e o governo em La Paz altera as relações comerciais com o vizinho Mato Grosso no pós-Morales
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Evo Morales mudou a relação comercial de La Paz com Mato Grosso. Suspendeu o fornecimento de gás natural para a Termelétrica Mário Covas e expropriou as propriedades rurais de estrangeiros na faixa de 50 km da fronteira. No poder desde janeiro de 2006, Morales lidera um país marcado por desníveis sociais e que comemora 173 anos de Independência, data que se celebra no próximo dia 6, na Bolívia, vizinho tão próximo ao mesmo tempo distante. A suspensão da exportação do gás natural e a retirada de mato-grossenses na faixa de 50 km não estremeceram as relações. A desativação da termelétrica é abafada por interesses políticos. A retirada dos fazendeiros foi amenizada com a facilitação para que os interessados se deslocassem para áreas mais distantes do Brasil, onde é intensa a cultura da soja por ex-produtores em Mato Grosso. O fechamento da torneira do gás leva em conta interesses maiores. A remoção dos fazendeiros é uma espécie de resposta nacionalista de um país que convive com feridas de guerras que nunca se cicatrizarão. Com o reordenamento agrário na fronteira, Morales quis mostrar que a Bolívia não aceita mais esfacelamento territorial. A Bolívia perdeu território litorâneo para o Chile, com o qual não mantém relações diplomáticas em nível de embaixada desde 1884, quando La Paz levantou a bandeira branca da rendição diante das tropas inimigas, depois de cinco anos de conflitos nos Andes, em que os bolivianos foram derrotados na tentativa de garantir acesso ao Pacífico. Após a descoberta de petróleo no Chaco o Paraguai conquistou essa região, então boliviana, numa guerra que se arrastou de 1932 a 35. Estranhamente, em 1903 a Bolívia vendeu o Acre ao Brasil, por um acordo que oficializava a anexação daquele Estado conquistado pelas forças comandadas por Plácido de Castro; a recompensa por essa negociação foi a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. BALANÇA Para Mato Grosso a Bolívia é mercado vocacional, mas esse nicho de consumo com 9,7 milhões de clientes em potencial é pouco explorado. Em 2006 as exportações mato-grossenses não foram além de US$ 35,24 milhões (FOB). No ano passado subiram para US$ 39,03 milhões (FOB). Em sentido inverso a movimentação foi de US$ 406,51 milhões (FOB) e US$ 753,27 milhões (FOB) respectivamente. A balança comercial mostra maior volume importado. Isso, em razão do gás natural para a termelétrica. O aumento no ano passado no comparativo com 2006 aconteceu em razão do reajuste do preço imposto por Morales. Barreiras protecionistas na Bolívia dificultam as relações comerciais com a vizinhança. A Central Obrera Boliviana (COB) impede o trânsito de motoristas e veículos de cargas estrangeiros. Esse gargalo afeta também a viabilização do Corredor Bioceânico Atlântico-Pacífico. Automóveis brasileiros podem circular, mas são achacados em barreiras conhecidas como tranca onde somente passa quem paga propina aceita em boliviano, real e, preferencialmente, em dólar.