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ECONOMIA
Segunda-feira, 05 de Maio de 2008, 20h:43

CRISE NO CAMPO

BB revela que operações do FRA não somaram três em todo Estado

Superintendente do Banco do Brasil em MT está em Brasília para confirmar novo prazo

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O prazo de contratação do Fundo de Recebíveis do Agronegócio (FRA), vencido no último dia 30 de abril, poderá ser prorrogado mais uma vez pelo governo federal. O Banco do Brasil, entretanto, vê pouco interesse do produtor mato-grossense em obter o financiamento. “Neste primeiro momento, o nível de contratação ficou aquém das nossas expectativas. Não chegou a três operações”, informou o superintendente regional do Banco do Brasil em Mato Grosso, Renato Barbosa. Ele está em Brasília desde ontem e uma das suas preocupações é confirmar a nova prorrogação. “Fala-se muito na prorrogação, o Banco do Brasil está se empenhando para isso, mas até agora não temos nada de oficial”, afirmou Barbosa. O FRA prevê a contratação de financiamento para saldar dívidas entre produtores e fornecedores, mediante a utilização de recursos das exigibilidades bancárias aplicadas em crédito rural e dos depósitos à vista para a criação de linha de crédito destinada à liquidação de dívidas contraídas por produtores rurais e cooperativas, com fornecedores de insumos agropecuários, referentes às safras 2003/04 2004/05 e 2005/2006, com vencimentos a partir de janeiro de 2005. Segundo Barbosa, os produtores estão preferindo “se acertar com os credores – fornecedores de insumos - a tomar novo financiamento e esgotar o limite para obtenção de novos empréstimos para o custeio da safra 2008/09”. Houve casos ainda de produtores que não conseguiram contratar operações em função de restrição cadastral. “Vimos realmente pouco interesse por parte do produtor”, reitera. SEM DINHEIRO - A área de Agronegócio do BB informou que as operações contratadas não foram ainda formalizadas pelo Banco por conta da não formação do fundo. Isso mesmo. Apesar de o governo ter aberto o prazo para a contratação dos financiamentos, os recursos não podem ser liberados enquanto o fundo de liquidez não for formado. Este fundo seria formado com recursos oriundos dos produtores rurais (10%), das empresas privadas (20%) e do Tesouro Nacional (15%), no montante de R$ 990 milhões. O presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira, criticou o governo federal pela demora em formar o fundo. “O governo está pagando mais um mico, pois diz que tem dinheiro, mas não tem. Os técnicos do Banco do Brasil afirmam que existem operações contratadas, mas ninguém sabe informar quem são os beneficiados e se realmente terão acesso aos recursos”. Sem o dinheiro do FRA, Silveira acredita que os produtores terão dificuldades para comprar adubo e iniciar o plantio da safra. “Prefiro acreditar na prorrogação do prazo e na formação deste fundo, pois esta será a última cartada para o produtor nesta safra”, disse ele. De acordo com o Banco do Brasil, os produtores que fizeram opção pelo financiamento terão de liquidar o débito em no máximo quatro prestações, com vencimento, respectivamente, até o dia 31 de maio de 2009, 2010, 2011 e 2012. O BB manteve as mesmas condições para os encargos financeiros das operações: Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), acrescida de 5% ao ano. Com o objetivo de garantir o financiamento, o produtor poderá contratar o penhor das safras futuras de 2008/2009 a 2011/2012. Os tomadores (produtor rural) têm que participar do fundo com percentual correspondente a 10% do valor atualizado da dívida mantida com fornecedores e os credores (fornecedores) devem participar com 20% do valor atualizado do crédito. Os bancos podem financiar ao produtor o volume de recurso correspondente à sua participação no fundo.

Edição EDIÇÃO 16962




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