ECONOMIA
Segunda-feira, 26 de Maio de 2008, 20h:12
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BOVINOS
Batida do martelo contabiliza o arremate de mais de 11 mil
Megaleilão supera expectativa e se torna um marco para a pecuária estadual ao País
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Empresários inventaram o leilão bovino, que baniu a figura do zebuzeiro de porteira em porteira. Maurício Tonhá, o Maurição, aperfeiçoou a invenção criando o Megaleilão, que em poucas horas movimenta milhares de cabeças à batida do martelo, como o fez no último sábado, em Cuiabá, quando vendeu 11.948 animais para cria, recria e engorda. Pelo quantitativo de animais vendidos o Megaleilão de Cuiabá - promovido pela Estância Bahia Leilões, de Maurição - é o segundo maior evento dessa natureza no Brasil. O primeiro colocado, também do mesmo empresário, é realizado em Água Boa (740 quilômetros ao nordeste de Cuiabá) e figura no Guinness Book o Livro dos Recordes - na condição de recordista universal. No dia 19 de abril, o Megaleilão daquela cidade comercializou 29.188 cabeças pelo montante de R$ 19,23 milhões. A meta do Megaleilão de Cuiabá era ousada: vender 10.008 animais. Essa previsão falhou. O evento desovou 11.948 cabeças de 38 vendedores, que foram arrematadas por 30 pecuaristas ao preço médio de R$ 762,97. O faturamento bruto foi de mais de R$ 9 milhões. Os 8.368 machos em pista foram negociados na média de R$ 838,92 e as 3.580 fêmeas a R$ 585,46. O que abre porteira ao Megaleilão para tamanho sucesso empresarial num segmento econômico caracterizado pela reticência do criador e pela pechincha? Se alguém responder que é o magnetismo de Maurição, está correto. Aquele que afirmar que é a fusão do profissionalismo com a política de otimizar tempo nos negócios da pecuária, também acerta. Não erra aquele que cravar ambas as respostas. Maurição tem o malabarismo da palavra certa, da frase de impacto na ponta da língua. Além disso, goza da confiança da cadeia pecuária. Com o microfone na mão, na frente da pista de leilão, motiva compradores aos lances. Tem a manha para fechar negócios. Abre porteira ao leiloeiro. Mexe com fazendeiros dos quatro cantos do Brasil que o acompanham pela transmissão da televisão que cobre seus eventos. É ídolo. Guru. Símbolo de uma classe que há muito vive sob o tacão ambiental, a pressão trabalhista e o desrespeito ao direito de propriedade. Faz o relógio avançar e o tempo parar. O prestígio de Maurição junto aos pecuaristas é indiscutível: O secretário de Desenvolvimento Rural, Neldo Egon, Mario Cândia e Jorge Pires de Miranda, da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Júlio Rocha, do Fundo de Apoio à Bovinocultura de Corte (Fabov) participaram do Megaleilão, que contou também com a participação de outros tradicionais criadores. Por enquanto, Maurição está só na área dos grandes leilões, mas a estrada mato-grossense para esse tipo de evento está escancarada, sem cerca, à espera de outros empresários. O resultado do Megaleilão demonstra o bom momento da pecuária, com a arroba em disparada, e situa Cuiabá no patamar dos grandes pólos da pecuária mato-grossense. Também evidencia o nível de profissionalismo da equipe que operacionaliza o evento. Afinal, pelo martelo passaram quase 12 mil machos e fêmeas, que representam mais de 10% do rebanho bovino cuiabano de 109.979 cabeças de mamando a caducando em 1.183 propriedades.