ECONOMIA
Domingo, 23 de Julho de 2000, 19h:18
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FINANÇAS
Banqueiro defende expansão do sistema de microcrédito
MARCELO DIEGO
Agência Folha São Paulo
Muhammad Yunus, 60, é o fundador de um banco com 12.628 funcionários e 1.105 agências, que já concedeu mais de US$ 3 bilhões em empréstimos desde 1976 e conta hoje com 2,4 milhões de clientes. Dois fatos, porém, diferenciam o Grameen Bank de outras instituições e Muhammad Yunus de outros banqueiros. O primeiro: o banco fica em Bangladesh (Ásia), um dos países mais pobres do mundo. O segundo: são justamente os pobres os principais clientes do Grameen Bank ("banco da aldeia'', no idioma local). Yunus teve a idéia de fundar o banco em 1974, quando uma onda de fome particularmente violenta assolou o país. Ele lecionava economia na Universidade de Chitagong e ficou impressionado com as cenas de desespero vividas pela população mais pobre. "Era muito difícil ensinar todas aquelas belas teorias econômicas enquanto as pessoas morriam de fome'', diz Yunus. Ele começou a pesquisar a origem da fome e descobriu que ela poderia ser evitada se as pessoas tivessem acesso a pequenas quantias de dinheiro -para comprar sementes, por exemplo. Mas justamente para os mais pobres o acesso ao dinheiro era quase impossível, já que não existiam garantias colaterais de que os empréstimos seriam pagos. "As pessoas viviam em um nível tão baixo que não podiam poupar nem um centavo. Seus filhos estavam condenados a viver na penúria, sem nunca poder ter a menor reserva de dinheiro'', diz Yunus. Ele resolveu então fundar uma instituição que oferecesse microcrédito -pequenas quantias de dinheiro, suficientes para impulsionar a sobrevivência dos tomadores de empréstimos e tentar garantir uma melhoria de vida. O banco começou com a concessão de US$ 27 para um grupo de 42 bengaleses. Em 1999, o total de dinheiro emprestado já ultrapassava a casa dos US$ 3 bilhões. A média de empréstimos é de US$ 25 por pessoa, com diferentes prazos de retorno. A taxa de inadimplência é de apenas 2%. O professor-banqueiro diz não visar o lucro, embora sua instituição opere sempre no positivo. Para garantir o pagamento dos empréstimos, Yunus toma algumas providências. Primeiro, ele busca conceder empréstimos às mulheres, não aos homens. "Elas são mais cuidadosas'', justifica. Do total emprestado até 1997, 94,6% foram parar em mãos femininas.