ECONOMIA
Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011, 21h:37
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SALÁRIO MÍNIMO
Aumento divide opiniões entre lojistas
Piso em vigor no Brasil continuando sendo baixo para quem recebe e alto para quem paga. Segmento quer a desoneração de alguns impostos em 2011
A discussão em relação ao novo valor do salário mínimo no país tem dado margem para outras preocupações em vários segmentos da classe lojista cuiabana. Desde o dia 1° de janeiro deste ano, o piso foi reajustado de R$ 510 para R$ 540, mas existem inúmeras pressões para o novo valor chegue a R$ 580. Segundo lojistas representados pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL), o valor em vigor (R$ 540), não chega a ser proporcional ao Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC atualmente em 6,47%) e pode sobrecarregar a folha de pagamento das pequenas e microempresas, caso o governo federal não desonere impostos. Outra corrente do varejo acredita que o aumento vai proporcionar maior poder de compra ao consumidor, o que beneficiaria a economia. O salário mínimo, para quem o recebe, nunca foi suficiente para realmente cobrir as despesas de uma família, afirma a empresária do segmento de confecções, Maria Cândida Silva Camargo. Segundo ela, o aumento do salário não aumentará o poder de compra real para o consumidor porque ele passa a pagar mais pelos produtos, automaticamente. Mas este aumento traz um impacto significativo na folha de pagamento dos pequenos e microempresários, pois pagamos impostos sobre impostos, e com o aumento do mínimo, várias outras tarifas e valores de produtos e serviços sobem, completa. Em contrapartida, o empresário do ramo de Informática, João Bosco Linhares Nunes, acredita que esse aumento seria significativo para os trabalhadores. Acho positivo este aumento, pois R$ 30 a mais significa aumento do poder aquisitivo do trabalhador. Temos de ir avançando no sentido de recuperar o poder de compra do trabalhador. Para o presidente da CDL Cuiabá, Paulo Gasparoto, o ideal era que o salário mínimo ficasse acima ou equiparado ao INPC, visando ao aumento da renda do trabalhador para atender às necessidades básicas. Mas, o problema seria o rombo nas contas públicas e da Previdência. Para Gasparoto o temor é de que o novo salário sirva de pretexto para se aumentar a carga tributária. Muitos municípios, principalmente os pequenos que têm cerca de 200 empregados com base salarial no mínimo, teria dificuldades de suportar esta nova folha salarial e isto poderia ocasionar mais aumento de impostos para suportar as despesas. O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon/MT), Edisantos Amorim, explica que o valor pensado até o momento, abaixo do INPC, trará prejuízos ao consumidor, porque os impostos são, automaticamente, repassados a ele na hora da compra. Os comerciantes têm a opção, e eles geralmente o fazem, de acompanhar o índice do INPC no preço dos produtos. Se o consumidor tiver um aumento 0,59% menor do que essa taxa, como se vê, ele vai sair perdendo, com certeza. Para acompanhar o índice, o novo salário deveria ser de R$ 543. Para Edisantos, o comércio não deverá ter prejuízos com esse ajuste, porque é muito baixo. Mas alertou que o comerciante pode economizar mais se tiver cuidado na hora de comprar os produtos que vende. Uma alternativa seria comprar mais à vista. IDEAL - O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese) aponta que o valor necessário do salário mínimo, para que atendesse as necessidades vitais básicas de uma família, de acordo com os preceitos constitucionais, deveria ser, em dezembro de 2010 de R$ 2.227,53. Edisantos afirma que seria excelente para o comércio que os consumidores tivessem renda equivalente a indicada pelo Dieese para gastar, mas segundo ele, um aumento nessa proporção causaria um efeito cascata e quebraria não só as pequenas e micro empresas, mas arruinaria o poder público. O grande erro foi o governo não ter aumentado o salário sempre de acordo com índices como o INPC. Nossa renda não gira melhor porque ficamos abaixo desses índices em vários momentos de reajuste. E completa: O país ganha com o aumento do salário mínimo. Serão injetados R$ 26 bilhões a mais na economia, se o valor for mesmo de R$ 540.