ECONOMIA
Quinta-feira, 17 de Julho de 2008, 21h:12
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SAFRA 08/09
Atraso na liberação do custeio preocupa os produtores estaduais
BB confirma que haverá demora e setor produtivo teme mais impactos à safra
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O atraso na liberação da contratação dos financiamentos para o custeio da safra 2008/09 está causando apreensão nos produtores. Poderemos atrasar o plantio da safra, alertou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), Rui Ottoni Prado. Ontem, a Superintendência do Banco do Brasil em Mato Grosso, por meio da sua assessoria de imprensa, confirmou que o início das contratações vai atrasar. As propostas ainda não estão sendo registradas. Falta ainda a definição do orçamento pelo governo federal e a portaria que equaliza os recursos para cada estado ainda não foi publicada, informou a assessoria. As propostas, entretanto, já podem ser encaminhadas às agências do Banco do Brasil. No Estado, são 95 agências e postos de atendimento. É importante que as propostas sejam encaminhadas logo para que o banco comece a analisar o cadastro e o limite de crédito de cada produtor. A previsão para início das contratações efetivas, ainda de acordo com a assessoria do BB, é para o final do mês. Enquanto a portaria não é publicada, a instituição está se adequando às alterações relativas à questão dos documentos em função das restrições ambientais nas áreas do bioma da Amazônia. PRODUTORES Os produtores temem que ocorra um atraso no plantio da próxima safra, o que fará com que a soja seja plantada fora das melhores janelas períodos ideais e com isso, ficará mais suscetível à incidência da ferrugem asiática, por exemplo. Sem crédito para custeio, muitos produtores irão postergar o preparo da terra e a compra de insumos, afirmou o presidente da Famato, Rui Prado. A necessidade de Mato Grosso para este ano é de R$ 11 bilhões. Segundo ele, no ano passado, nesta mesma época, o banco já estava operacionalizando os financiamentos. Normalmente este período de contratação começava mais cedo e, no mês de julho, os produtores já estavam preparando suas terras e adquirindo os insumos para o plantio. Rui Prado diz que este ano os produtores terão dois problemas graves: a restrição de financiamentos em áreas do bioma do Amazônia que poderão reduzir o crédito em cerca de R$ 1 bilhão para os 31 municípios de Mato Grosso atingidos pela medida e o alto custo dos fertilizantes. Os estudos mostram que os custos com fertilizantes estão impondo fortes perdas e reduzindo a margem de lucro do setor. A alta nos preços desse insumo foi tão grande do ano passado para cá que hoje os fertilizantes preocupam tanto quanto a falta de logística, afirma o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro. Os produtores constatam altas expressivas nos preços desse insumo, nos últimos meses. Em dólar, o aumento foi de 150%. A tonelada do fertilizante, que custava US$ 400 no ano passado, hoje está sendo vendida por até R$ 1 mil. Segundo Marcelo Monteiro, o peso do fertilizante em Mato Grosso, como fator de perda da competitividade, está praticamente equiparado ao da logística. Hoje o produtor tem que gastar US$ 300 a mais por hectare que o Paraná para produzir a soja, por exemplo. E, desse total, 50% são por causa dos fertilizantes.