NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ECONOMIA
Quinta-feira, 17 de Julho de 2008, 21h:12

SAFRA 08/09

Atraso na liberação do custeio preocupa os produtores estaduais

BB confirma que haverá demora e setor produtivo teme mais impactos à safra

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O atraso na liberação da contratação dos financiamentos para o custeio da safra 2008/09 está causando apreensão nos produtores. “Poderemos atrasar o plantio da safra”, alertou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), Rui Ottoni Prado. Ontem, a Superintendência do Banco do Brasil em Mato Grosso, por meio da sua assessoria de imprensa, confirmou que o início das contratações vai atrasar. “As propostas ainda não estão sendo registradas. Falta ainda a definição do orçamento pelo governo federal e a portaria que equaliza os recursos para cada estado ainda não foi publicada”, informou a assessoria. As propostas, entretanto, já podem ser encaminhadas às agências do Banco do Brasil. No Estado, são 95 agências e postos de atendimento. “É importante que as propostas sejam encaminhadas logo para que o banco comece a analisar o cadastro e o limite de crédito de cada produtor”. A previsão para início das contratações efetivas, ainda de acordo com a assessoria do BB, é para o final do mês. Enquanto a portaria não é publicada, a instituição está se adequando às alterações relativas à questão dos documentos em função das restrições ambientais nas áreas do bioma da Amazônia. PRODUTORES – Os produtores temem que ocorra um atraso no plantio da próxima safra, o que fará com que a soja seja plantada fora das melhores janelas – períodos ideais – e com isso, ficará mais suscetível à incidência da ferrugem asiática, por exemplo. “Sem crédito para custeio, muitos produtores irão postergar o preparo da terra e a compra de insumos”, afirmou o presidente da Famato, Rui Prado. A necessidade de Mato Grosso para este ano é de R$ 11 bilhões. Segundo ele, no ano passado, nesta mesma época, o banco já estava operacionalizando os financiamentos. “Normalmente este período de contratação começava mais cedo e, no mês de julho, os produtores já estavam preparando suas terras e adquirindo os insumos para o plantio”. Rui Prado diz que este ano os produtores terão dois problemas graves: a restrição de financiamentos em áreas do bioma do Amazônia – que poderão reduzir o crédito em cerca de R$ 1 bilhão para os 31 municípios de Mato Grosso atingidos pela medida – e o alto custo dos fertilizantes. Os estudos mostram que os custos com fertilizantes estão impondo fortes perdas e reduzindo a margem de lucro do setor. “A alta nos preços desse insumo foi tão grande do ano passado para cá que hoje os fertilizantes preocupam tanto quanto a falta de logística”, afirma o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro. Os produtores constatam altas expressivas nos preços desse insumo, nos últimos meses. Em dólar, o aumento foi de 150%. A tonelada do fertilizante, que custava US$ 400 no ano passado, hoje está sendo vendida por até R$ 1 mil. Segundo Marcelo Monteiro, o peso do fertilizante em Mato Grosso, como fator de perda da competitividade, está praticamente equiparado ao da logística. Hoje o produtor tem que gastar US$ 300 a mais por hectare que o Paraná para produzir a soja, por exemplo. E, desse total, 50% são por causa dos fertilizantes.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL