ECONOMIA
Quarta-feira, 20 de Junho de 2007, 22h:04
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ARROZ
Atividade encolhe 51% no Estado
Situação piorou nos últimos 2 anos. Em 2005, eram 72 indústrias cadastradas ao Proarroz, ou seja, em atividade. Agora, são 35 e ociosas
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A queda na produção e o aumento das importações de arroz este ano estão deixando a indústria de beneficiamento do Estado em xeque. De acordo com o Sindicato das Indústrias do Arroz (Sindarroz), boa parte das indústrias já está parada porque não está conseguindo comprar o produto. Como este ano a produção foi menor, o produtor está retendo o arroz nos armazéns e vendendo o produto por um preço que a indústria não tem condições de pagar. Estamos concorrendo hoje com arroz de outras regiões do país Rio Grande do Sul e Paraná são os mais fortes concorrentes e até mesmo de outros países, como é o caso da Indonésia e Tailândia, diz o presidente do Sindarroz, Joel Gonçalves. Ele informou que a indústria local não está conseguindo repassar os preços para o mercado varejista, pois o arroz do Sul está mais barato. A localização de Mato Grosso nos deixa em desvantagem em relação a outras regiões, já que não podemos levar a nossa produção para os grandes centros consumidores. Enquanto para chegarmos até lá usamos caminhões, eles usam navio. O frete acaba inviabilizando o acesso a outros mercados e tirando a competitividade dos nossos produtos. Gonçalves conta que a situação das indústrias piorou nos últimos dois anos, a atividade encolheu 51%. Para se ter uma idéia, em 2005 tínhamos 72 indústrias cadastradas ao Proarroz. Em 2006 este número caiu para 49 e hoje apenas 35 estão trabalhando. Mesmo assim, a maioria opera com ociosidade de até 60% no funcionamento de suas máquinas, relata. A desestabilização da indústria arrozeira também vem gerando desemprego no setor. Dos 2,8 mil empregos gerados há dois anos, hoje apenas 1,4 mil foram mantidos. MERCADO - Segundo o empresário Marco Lorga, as indústrias locais não estão conseguindo mercado para a colocação de seus produtos. Simplesmente não conseguimos concorrer com o arroz do Sul porque os preços internos estão elevados (cerca de R$ 29/saca). Segundo ele, o produtor tinha expectativa de bons preços nesta safra. A indústria vinha praticando uma política de remuneração para o produtor. Com a queda da produção, a entrada de arroz de outras regiões e a desvalorização do dólar, a indústria não está conseguindo comprar o produto no mercado interno. O pior é que não existe uma sinalização de melhora e até mesmo propaganda de arroz de outras regiões já temos em Cuiabá. Lorga também concorda que o principal problema de Mato Grosso é a logística de transporte. Hoje, é praticamente impossível colocarmos os nossos produtos em outros mercados, alega. Ele informou que a produção este ano caiu para 750 mil toneladas. Já ocupamos a posição de segundo maior produtor. Hoje, perdemos essa colocação para Santa Catarina e estamos em terceiro, conta o empresário, lembrando que na safra 04/05 Mato Grosso chegou a produzir 2 milhões de toneladas. O maior produtor é o Rio Grande do Sul. Para Lorga, só há uma forma de retomar a produção e fortalecer o parque de beneficiamento do Estado: melhorando a qualidade do arroz e colocando o produto como alternativa de rotatividade com a soja. Se fizermos isso e melhorarmos a nossa logística de transporte, poderemos superar a crise, disse ele.