ECONOMIA
Terça-feira, 26 de Junho de 2007, 19h:54
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GREVE/FISCAIS
Atendimento de 30% afeta as exportações
Somente serviços considerados essenciais serão mantidos e sem extensão da jornada
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Depois do bom desempenho nos primeiros cinco meses do ano, as exportações de carne bovina mato-grossense poderão sofrer revés com a greve dos fiscais federais agropecuários, que decidiram em assembléia geral atender apenas 30% das atividades de certificação para produtos de origem animal, visando ao mercado externo. Em Mato Grosso são 75 fiscais. A decisão pegou de surpresa ontem frigoríficos e pecuaristas, que apostavam em uma solução para o movimento antes de uma atitude mais drástica dos fiscais. A operação tartaruga poderá prejudicar as nossas exportações caso perdure por alguns dias. Quem irá perder com isso são os pecuaristas, os frigoríficos e o Estado, advertiu ontem o presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo), Luiz Antônio Freitas Martins. Ele entende o movimento dos fiscais como uma causa justa, mas não podemos pagar um preço tão alto. Segundo Luiz Antônio, a queda das exportações pode ser na mesma proporção da redução dos serviços de certificação (30%). O diretor da Associação dos Proprietários Rurais do Estado (APR/MT), Antônio Miguel Sabino, afirmou que a greve dos fiscais agropecuários afetará toda a cadeia pecuária. Os pecuaristas e frigoríficos têm contratos de exportação que precisam ser cumpridos. Qualquer atraso ou descumprimento dos contratos pode gerar perdas para o setor, alerta. Segundo Antônio Sabino, os pecuaristas serão bastante prejudicados com a greve. Toda vez que há uma retração nas exportações e o mercado interno não consegue absorver toda oferta, há uma queda automática dos preços. E isso não é bom para o setor. Na avaliação do presidente do Sindifrigo, Luiz Antônio Martins, qualquer movimento no sentido de impor restrições ao trabalho de certificação de produtos para exportação é prejudicial à indústria e economia estadual, pois acarreta atrasos nos embarques, além de gerar perdas nas exportações e impactar negativamente na balança comercial do Estado. Este ano, só no período de janeiro a maio, Mato Grosso exportou o equivalente a US$ 239,45 milhões em carne bovina, com incremento de 59,07% em relação ao volume exportado em igual período do ano passado (US$ 149,97 milhões). No total, foram exportados este ano 138,51 mil toneladas, contra 61,05 mil toneladas no ano passado. As informações constam do último levantamento sobre exportações divulgado pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias no Estado (CIN/Fiemt). O relatório aponta que a Rússia é o principal comprador da carne bovina mato-grossense, tendo importado em 2006 o equivalente a US$ 132,14 milhões, com acréscimo de 173,35% em relação ao volume comercializado no ano anterior, que atingiu US$ 48,34 milhões. HISTÓRICO - Na greve mais contundente dos fiscais, em novembro de 2005, as perdas em Mato Grosso atingiram a cifra de R$ 5,7 milhões nos 19 dias de paralisação pela não movimentação de carnes destinadas ao mercado internacional, que necessitam do Certificado Sanitário Internacional (CSI). No Brasil, foram contabilizadas perdas de aproximadamente US$ 700 milhões com a paralisação.