ECONOMIA
Terça-feira, 03 de Novembro de 2009, 23h:20
A
A
ATC aponta gargalos das transportadoras
Para o diretor executivo da Associação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado (ATC), Miguel Mendes, três fatores cruciais impedem o setor de sair do vermelho: as péssimas condições das rodovias, o aumento do óleo diesel e a elevada carga tributária incidente sobre o combustível. Este último item (impostos) é o que mais pesa em nossa planilha, ao lado dos preços dos combustíveis, garante. Segundo ele, entre os estados produtores, Mato Grosso é o que tem a maior alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel, além de ter um dos preços mais caros do país. Na maioria dos estados, a alíquota é de 12%, enquanto que em Mato Grosso é de 17%. Além desse problema, o governo estadual ainda não reajustou o PMPF (Preço Médio Ponderado Final), índice que serve de parâmetro para a cobrança do ICMS sobre o combustível. Em Mato Grosso, o PMPF está congelado desde abril em R$ 2,3399. Os preços dos combustíveis baixaram por determinação da Petrobras, mas em nosso Estado o novo cálculo ainda não foi feito, reclama Mendes, que cita o índice de Mato Grosso do Sul: R$ 2,1021. DESEMPENHO - Pesquisa da NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística) junto a 314 empresas transportadoras de carga indicou que o primeiro trimestre do ano foi a pior fase para o setor, com queda de mais de 30% para um terço dos pesquisados. O estudou apontou a necessidade de investimento para suprir o crescimento da demanda pós-crise. De acordo com a entidade a situação tende a piorar, pois a expectativa é de que o Brasil cresça nos próximos anos em média 5% ao ano, o que representa aumento de 15% no setor de transporte. Para que isto ocorra, serão necessários grandes investimentos em infra-estrutura, veículos e implementos, capacitação de mão-de-obra e treinamento. Face a esse cenário, o estudo constatou a urgência em se reajustar o frete em pelo menos 15%. Segundo o presidente da NTC, Flávio Benatti, esta providência é imperativa para que se possa cobrir os aumentos constantes dos custos, recompor as estruturas operacionais desfeitas, melhorar a qualidade e a produtividade dos serviços prestados, recuperar os descontos concedidos e os reajustes não aplicados, e, principalmente, repor a rentabilidade das empresas, para que estas façam os investimentos necessários para atender a demanda atual e futura do mercado crescente.(MM)