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ECONOMIA
Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011, 18h:38

PECUÁRIA

Arroba sob pressão

Estudo da Acrimat avalia que a concentração de frigoríficos está achatando preços em MT

MARIANNA PERES
Da Editoria
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) avaliou pela primeira vez o impacto da concentração das indústrias frigoríficas na pecuária mato-grossense. Na média geral o preço da arroba do boi gordo paga à vista aos criadores caiu 4,5%, saindo de R$ 89,54 para R$ 85,47. A queda não é percebida no varejo. “Queríamos mostrar os efeitos da falta de frigoríficos e da concentração que alguns grupos detêm na vida do pecuarista e do consumidor final”, justifica o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari. Ele acrescenta que “não se pode permitir que agentes da cadeia que não produzem nada ganhem tanto e ditem regras aos pecuaristas”. A avaliação realizada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a pedido da Acrimat, detectou também que no período de comparação a escala de abate passou de 8,90 dias para 7,36. Atualmente, dos 40 frigoríficos cadastrados no Sistema Federal de Inspeção (SIF) – aptos a exportar - apenas 24 estão funcionando, o que corresponde 40% da capacidade de abate de Mato Grosso comprometida com o fechamento de 16 unidades que enfrentam processos judiciais desde 2008. “Essa situação provoca maior estrago nas regiões nordeste e noroeste, onde existem poucas plantas frigoríficas e as existentes pertencem a um mesmo grupo”, frisa Vacari. No noroeste mato-grossense o preço do boi à vista caiu 5,7% nos últimos 20 dias. No dia 10 de agosto a escala de abate era de 8,36 dias e o preço da arroba custava R$ 89,84. No dia 23 de agosto, a escala passou para 7,48 e o preço da arroba do boi gordo caiu para R$ 84,75. Nessa região existem quatro frigoríficos, sendo que um está fechado e das três plantas operando, sendo duas de um mesmo grupo. Na região nordeste a situação é a mesma. No dia 4 de agosto a arroba do boi gordo custa R$ 86,35 com uma escala de 10 dias, no dia 23 a escala caiu para 7,24 e o preço da arroba para R$ 81,47. Nessa região mais de 50% dos frigoríficos estão fechados, onde das sete unidades quatro estão desativadas. Na região norte de um total de nove frigoríficos, quatro estão fechados, “mas nas mãos de diferentes grupos”, destaca o superintendente da Acrimat. Essa região registrou a menor queda no preço à vista da arroba, com 3,3%. No dia 4 de agosto a arroba custava R$ 90,08 numa escala de 8,54 dias no dia 10 de agosto e caiu para R$ 87,06 no dia 23 de agosto com uma escala de 6,94. Na região médio norte também foi observada uma queda menos acentuada no preço da arroba de 3,7%, onde o preço baixou de R$ 89,72 no dia 5 de agosto para R$ 86,42 no dia 23 do mesmo mês. A escala também baixou de 8,36 dias para 6,92. “Os pecuaristas de Sinop, onde existem dois frigoríficos, sendo que um está fechado, tem a opção de abater nas cidades da região norte e a pressão diminui”, pondera Luciano Vacari. As regiões oeste e centro-sul registraram a mesma queda no preço da arroba nos últimos 20 dias, de 4,7%. Na oeste da arroba do boi gordo saiu de R$ 90,75 no dia 5 e agosto para R$ 86,44 na terça-feira passada. A escala de 9,11 dias baixou para sete dias. Nessa região existem cinco unidades frigoríficas, sendo que duas estão paradas e das três em operação, duas são de um mesmo grupo. No centro-sul o preço do boi gordo à vista saiu de R$ 92,17 no dia 5 deste mês para R$ 87,88 numa escala de 9,59 para 7,7 dias. A região sudeste teve um impacto de 5,3% a menos no preço da arroba. Saindo de R$ 91,30 para R$ 86,45 numa escala de 9,98 que caiu para 7,5 dias. IMPACTO – E a extensão da pressão sobre arroba pode ver avaliada sob outro ângulo. O diferencial de base no preço médio da arroba do boi gordo entre Mato Grosso e São Paulo que historicamente é de 12%, chegou a 14,7%. “Isso mostra que as indústrias frigoríficas de Mato Grosso estão utilizando de uma estratégica comercial para forçar a queda do preço da arroba no Estado e isso não esta dando certo”, analisa Vacari. Ele lembra, que “a base só aumenta, quando a escala também aumenta, mas isso não aconteceu, a escala caiu em todas as regiões”. A orientação da Acrimat é que o pecuarista não venda seu gado a um preço que não remunere seu custo de produção, “pois a conta virá mais cedo ou mais tarde e só assim os frigoríficos se verão forçados a pagar o preço justo pelo boi gordo”. MAIS - Outro fator que chamou à atenção foi a evolução nos preços dos três elos da cadeia produtiva da carne nos últimos seis anos. “Enquanto os preços do atacado e da arroba caminharam juntos nos últimos anos, o atacado este ano subiu mais que a arroba”, disse Vacari. Enquanto o preço da arroba cresceu 76,52% de 2005 para 2011, o preço no atacado aumentou 85,12%. O varejo continua liderando o aumento de preços chegando a 151,46% em novembro de 2010 e caiu para 125,32% no inicio de agosto desde ano, uma diferença de 27,7% em relação à arroba.

Edição EDIÇÃO 16961




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