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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sábado, 08 de Março de 2008, 14h:09

COURO - I

Apenas 8° no ranking

MT foi o número um com 6,27 mi de animais abatidos, mas industrialização representou somente 5% do total

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Mato Grosso possui o maior rebanho bovino comercial do Brasil, com cerca de 27 milhões de cabeças, o que lhe garante extraordinária vantagem comparativa em relação a outros Estados. Porém, a indústria do couro ainda não adequou o seu parque fabril à era da globalização, com vistas às exportações para o mercado internacional, e por isso está longe de manter Mato Grosso nas primeiras posições do ranking. Em 2007, para se ter uma idéia, Mato Grosso participou com apenas 5% das exportações brasileiras - ocupando o modesto 8º lugar - apesar de ter sido o Estado com o maior volume de abates no ano (6,27 milhões de animais). Para a coordenadora do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Gabriela Fontes, a falta de tecnologia para o curtimento do couro em forma de acabado e semi-acabado é o principal gargalo às exportações do setor. “Temos a maior produção do país, mas quase toda ela não sai pronta para exportação. Vendemos para as regiões Sul e Sudeste, que apenas processam os nossos produtos e os exportam para outros países, sob sua chancela. Precisamos de mais investimentos, pois os nossos produtos saem com baixo valor agregado, rendendo divisas para outros Estados”. O assessor de Comércio Exterior da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Paulo Henrique Coelho, diz que novos mercados foram abertos em 2007 para o couro. “Ampliamos nossas vendas, mas precisamos identificar novos mercados enquanto preparamos o nosso parque industrial para melhorar o processo de beneficiamento do couro”. Lembrou, contudo, que nos últimos seis anos, Mato Grosso deu um importante salto neste setor, quando as indústrias ampliaram suas instalações para não deixar o produto sair in natura. “Antes, esta produção era vendida em forma de couro verde (salgado ou resfriado)”, conta o presidente do Sindicato das Indústrias de Curtimento de Couros do Estado (Sincurt), Marcelo Paes de Barros. Segundo ele, atualmente 90% da matéria-prima sai em forma de wet blue (tratamento primário do couro) e o restante em produto semi-acabado (7%) e acabado (3%), pronto para a confecção de manufaturados como calçados e artefatos de couro (bolsas, cintos, carteiras e sapatos). Apesar do avanço no quesito industrialização, ainda falta muito para Mato Grosso agregar valor a sua produção de couro. Atualmente, só duas empresas do Estado – o curtume Quatro Marcos, de Colíder, e a Tannery em Cáceres, no interior de Mato Grosso - produzem o couro acabado e semi-acabado. Na avaliação do presidente do Sincurt, nos últimos anos o setor avançou bastante nesta área. O Estado industrializava cerca de 60% das peles produzidas pelos frigoríficos. “Agora, estamos com estrutura para beneficiar 30 mil peles por dia, acima, portanto, da capacidade de abate da indústria”. Alguns abates de pequeno porte não aproveitam o couro bovino, que é cozido e servido como alimento para pequenas criações. Mas isto não chega a representar 1% da nossa produção. (Veja mais na página C2)

Edição EDIÇÃO 16962




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