ECONOMIA
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009, 20h:41
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LEITE
Alta chega a 47,74% nos supermercados de Cuiabá
Sazonalidade mantém pressão, porque em MT existem apenas duas indústrias produzindo
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Os preços do leite longa vida nos supermercados de Cuiabá deram um salto de até 47,74% em um período de três semanas, depois que cessaram as chuvas e a produção das indústrias caiu. Literalmente, todas as marcas reajustaram seus preços. Na média, o reajuste em seis marcas pesquisadas pelo Diário foi de 34,63%. O maior índice de reajuste recai sobre a Lacbom (47,74%), cujos preços passaram de R$ 1,55 para R$ 2,29. A segunda marca de leite mais cara, na média, é a Elegê (R$ 2,79), alta de 40,20%, seguida da Batavo (R$ 2,49) e, Parlamat, Lacbom e Italac, R$ 2,29. Apenas repassamos o que a indústria aumentou, justificou o presidente da Associação dos Supermercadistas de Mato Grosso (Asmat), José Catena. Segundo ele, a alta é normal para este período do ano. Todas as indústrias remarcam seus preços nesta época. Em Mato Grosso temos apenas duas [indústrias] da região, a Nenê e a Lacbom, por isso fica difícil negociar com elas. A tendência, na avaliação de Catena, é de que os preços se estabilizem nos patamares atuais até o início da próxima safra, a partir de novembro. (Veja quadro ao lado) Mesmo com a alta, os supermercados não registram ainda queda no consumo de leite. O que notamos é que depois da alta, muitos consumidores migraram o consumo para o leite tipo C em saquinho, que é bem mais barato, apesar de também ter sofrido um pequeno reajuste, afirma Catena. Na média, a alta do leite em sacolinha foi de 14%, com os preços saltando de R$ 1,39 para R$ 1,59. Nos supermercados, os consumidores reclamam dos reajustes. Não dá para levar mais do que uma caixinha [de leite]. Os preços estão muito altos, diz a funcionária pública Leonice Silva, moradora do Pedregal. Ela conta que no ano passado chegou a comprar leite por até R$ 1,45. O promotor de vendas Pedro Nunes, residente no Terra Nova, também reclama dos preços do leite integral. Se temos o maior rebanho do país, por que o leite não é mais barato para o consumidor?, indaga. Para o economista Paulo Figueiredo, o governo federal deveria incentivar a pecuária leiteira com incentivos aos os produtores. Se os custos estão elevados, deve-se fazer alguma coisa para compensar o prejuízo, talvez com linhas de crédito a juros mais baixos. O consumidor não pode pagar a conta. ENTRESSAFRA - Os supermercados atribuem a alta dos preços ao período da entressafra, quando há uma redução natural da produção devido ao período de estiagem e a falta de pasto para alimentar as vacas. Atualmente, as duas grandes indústrias da região, responsáveis pelas marcas Lacbom e Nenê, produzem 1,45 milhão de litros por dia. No ano passado, esta produção era de aproximadamente 1,5 milhão de litros. Como Mato Grosso consome apenas 550 mil litros por dia, 36% da produção da Lacbom e Nenê seriam suficientes para abastecer o mercado doméstico. O restante da produção 64% - é vendido para a região Sudeste. Parte ainda dos 36% destinados ao mercado regional é transformado em leite tipo C (saquinho) e derivados como os queijos - uma vez que o consumo é complementado com outras marcas importadas (Parmalat, Elegê, Batavo, Italac, Lacto, Frimesa e outras). De acordo com levantamento do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso (Sindilat), as duas marcas locais respondem por 80% de todo o consumo de leite longa vida na região.