ECONOMIA
Quinta-feira, 17 de Junho de 2010, 20h:07
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SELIC
Alta afeta consumo, mas não retrai investimentos
Primeiro efeito da elevação dos juros é sentido pelo comércio varejista
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A elevação da taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, de 9,50% para 10,25% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, deverá retrair o consumo, porém sem afetar o nível dos investimentos em Mato Grosso. De acordo com empresários e economistas, o aumento das taxas tem por objetivo conter o consumo para que os níveis inflacionários não extrapolem as metas do governo federal para 2010. Já os investimentos não deverão sofrer pressão por conta do aquecimento econômico e da elevada demanda. Toda vez que o governo federal decide aumentar a taxa Selic, o comércio sofre revés com um redutor do aumento do consumo. Para nós isso não é bom porque a população tem mais dificuldades para comprar um bem e consumir mais, afirma o presidente do Sindicato Intermunicipal de Tecidos, Confecções e Armarinhos de Cuiabá e Várzea Grande (Sincotec), Roberto Peron. Para ele, os efeitos da redução do consumo poderão ser sentidos imediatamente pelo comércio. Teremos uma redução do consumo nas vendas a prazo e o impacto será imediato, diz, acreditando que em um período de 30 a 60 dias a situação começará a se normalizar, pois os consumidores se adaptam à nova realidade e o consumo volta ao normal. Os empresários acreditam que a medida deve impactar no consumo, com reflexo direto nos financiamentos para automóveis, móveis, eletrodomésticos e outros produtos. O consumidor se sentirá retraído, daí a explicação para a queda do consumo, disse o gerente de uma loja de eletrodomésticos. Na opinião do economista e professor Manuel Martha, da Universidade Federal de Mato Grosso, a elevação da taxa Selic é uma forma do governo federal segurar um possível aumento da inflação causado pela expansão da demanda. Não acredito, entretanto, que haverá uma retração nos investimentos em função da demanda, que continuará aquecida devido ao crescimento da renda da população nos últimos anos. Segundo ele, os investimentos serão apoiados por linhas de crédito como BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e fundos constitucionais no caso de Mato Grosso, FCO. O presidente da Federação das Indústrias no Estado (Fiemt), Jandir Milan, diz que a medida vem para conter o consumo e reduzir as pressões inflacionárias, mas não ao ponto de comprometer as metas de crescimento da economia para 2010. De acordo com ele, qualquer aumento dos juros afeta o comércio, que passa a vender menos. Mas não acho que [o aumento da Selic] irá frear a economia, que está em expansão. BRASIL - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou a decisão do Copom "equivocada". A entidade lembrou que o aumento do investimento foi mais intenso do que o consumo para o crescimento da economia no primeiro trimestre (9% na comparação com o mesmo período do ano passado). Segundo a CNI, a maturação desses investimentos aumentará a capacidade de produção da indústria, o que reduzirá eventuais pressões inflacionárias no futuro. Além disso, a evolução recente dos preços aponta para o arrefecimento da inflação, especialmente dos alimentos. Portanto, há espaço para que o ciclo de alta dos juros seja mais curto e de menor intensidade que o inicialmente previsto. Para a CNI, o desafio da política econômica é conduzir o país a um ritmo de crescimento sem que a taxa básica de juros (Selic) prejudique os projetos de investimentos das empresas. Afinal, os investimentos são decisivos para a manutenção do crescimento com estabilidade econômica.