O alerta dos produtores para a possibilidade de uma crise mais forte na agricultura vinha sendo feito desde o final de 2004, quando o setor começou a enfrentar dificuldades e já dava sinais de desaceleração. O Diário foi o primeiro a mostrar o cenário que se desenhava, até então. Alto nível de endividamento, problemas com o câmbio, custos elevados de produção, falta de crédito e altas taxas de juros foram alguns dos ingredientes que apimentaram a crise na época. De lá para cá, os produtores continuaram alertando o governo federal para a situação que se encaminhava para o caos. O jornal Diário de Cuiabá acompanhou passo a passo a evolução desta crise até ela estourar, agora. O governo foi mais que avisado pelas entidades do setor. Essa discussão foi longa e desgastante. Com o agravamento da crise, o próprio governo do Estado colocou seu peso político na tentativa de encaminhar soluções que neutralizassem as conseqüências, mas não conseguiu, apesar do esforço, avalia o presidente da Comissão de Endividamento Rural de Mato Grosso e diretor administrativo da Aprosoja/MT, Ricardo Tomczyk. Segundo ele, as entidades setoriais da agricultura Aprosoja, Ampa (Associação dos Produtores de Algodão) e Famato (Federação da Agricultura e Pecuária) têm ligado o atual momento da crise da agricultura brasileira à crise financeira internacional. O produtor foi o primeiro a sentir os efeitos e, infelizmente, é o primeiro a sentir as conseqüências. Enquanto outros setores começam a perceber os sintomas da desaceleração da economia, o produtor rural já começa a perder seus instrumentos de trabalho, que são as máquinas. Imagine se retirassem os robôs das linhas de produção das montadoras de automóveis. Estamos sofrendo o início dessa realidade, resume. (MM)