ECONOMIA
Terça-feira, 26 de Junho de 2012, 20h:44
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PARAGUAI
Agora, boas expectativas
Após impeachment do ex-presidente Fernando Lugo, pecuarista de MT acredita em ambiente seguro para produção agropecuária
MARIANNA PERES
Da Editoria
O pecuarista Ricardo Castro Cunha, radicado em Mato Grosso há algumas décadas, é apenas um entre os inúmeros produtores rurais do Brasil que estenderam seus negócios para o lado de lá fronteira do vizinho Paraguai e que aguarda com boas expectativas o desenrolar do novo período político no país. Ele acredita, como descreve, que haverá segurança para se trabalhar e investir na produção agropecuária a partir de agora. O desabafo veio após o impeachment do ex-presidente Fernando Lugo, um esquerdista, na última sexta-feira, que era acusado pelos brasiguaios de perseguição e terrorismo durante sua gestão que não findou o primeiro mandato. Com o impedimento do Lugo que estava na presidência desde 2008, assumiu a chefia do país o seu vice-presidente Federico Franco, considerado de direita e com discurso que agrada ao segmento rural, voltado ao fortalecimento da produção agropecuária, atividade importante para a economia local e que tem na soja e na pecuária seus pilares de sustentação. Com posse de uma propriedade na cidade de Ybi-Yau, próxima à fronteira com Paranhos, no Mato Grosso do Sul, há mais de 30 anos, Castro Cunha cria bovinos e tem cerca de 5 mil cabeças. Graças a Deus, nesse tempo todo, nós nunca sofremos qualquer ataque, invasão, mas casos assim, contra brasileiros, é o que mais se ouve. No último final de semana, Castro Cunha esteve na sua fazenda e disse que viu um clima de tranquilidade por onde passou, com um policiamento interno considerado normal e isso prova que o impeachment era um desejo da maioria dos paraguaios e foi um ato que demorou para acontecer, tamanha era a decepção do povo com o seu governante. Ele frisa que a queda do esquerdista é muito comemorada, não apenas pelos paraguaios, como também pelos brasileiros que produzem no Paraguai, porque ele nunca valorizou quem realmente trabalhava pelo país. Castro Cunha lembra de alguns momentos em que esteve próximo de Lugo. Quando ela ia às feiras agropecuárias, entrava mudo e saía calado. Ia apenas para cumprir protocolo. As invasões às propriedade pertencentes aos brasileiros não respeitaram, como destaca, quem estava na terra há 40 anos, 30 anos. No Paraguai, quem produz grãos e bois é brasileiro. Ao longo do mandato, Lugo, como conta Castro Cunho, colecionou decepções. Ele era bispo em San Padro. O paraguaio é extremamente católico e não demorou para vir à tona que Lugo tinha filhos e com mulheres bastante jovens. Outro fato de repercussão negativa era o fato de ele liderar, na surdina, o Exército do Povo Paraguaio (EPP), que aterrorizava os brasileiros. Lugo fazia vista grossa. Mas um dia a invasão foi em uma propriedade de um ex-senador paraguaio, e ali foi o começo do fim para ela. ALERTA - Por ser de esquerda, como destaca Castro Cunha, Lugo tinha a intenção de falir a atividade rural e assim provocar uma revolução popular no país, por meio da tática de destruir os meios de produção. A intentona comunista de Lugo teria atingido o ápice com o surgimento de dois focos de febre aftosa no departamento de San Pedro, local considerado reduto do ex-presidente. Os focos, o primeiro confirmado em 18 de setembro do ano passado e o segundo, no início de janeiro deste ano. A aftosa não é uma zoonose, ou seja, não atinge o ser humano, mas faz estragos no mercado da carne. Regiões de foco, sejam cidades, estados e países próximos, ficam impedidas de exportar, por pelo menos dois anos, a sua produção, impondo um grande prejuízo econômico. Questionado sobre o fato de Lugo ter instaurado um governo paralelo sua casa em Lambaré, nos arredores de Assunção, capital paraguaia, Castro Cunha é taxativo: vai cair logo. Novamente indagado se há sensação de medo, ele diz que por mais que haja respaldo da esquerda latino-americana, internamente há uma decepção muito grande com a pessoa e o governante Lugo e uma insegurança que apavora o setor produtivo, e que por isso o governo paralelo, mesmo com apoio de uns e outros, dentro e fora do Paraguai, não terá força. Ele acrescenta que até o governo brasileiro que num primeiro momento se mostrava contra a rápida mudança do poder, pronto para aplicar sanções políticas e econômicas, reviu a postura e agora fala apenas em embargos políticos. Há muitos interesses em comum entre Brasil e Paraguai, sejam de ordem política ou econômica. E acrescenta: Como se vê, a queda do bispo foi tranquila e traz tranquilidade, concluiu. Sobre o governo paralelo, analistas consideram a hipótese pouco provável. Lugo não dispõe de apoio político no Congresso. A prova das suas dificuldades foi a votação, no último dia 22, do processo que levou ao seu impeachment, com um placar de 39 votos a favor, quatro contra e duas abstenções.