NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ECONOMIA
Segunda-feira, 27 de Julho de 2009, 19h:56

ITAIPU

Acordo pode penalizar as distribuidoras brasileiras

Possível migração do mercado cativo para o livre preocupa concessionárias

Encerrada a primeira fase de negociação entre Brasil e Paraguai sobre Itaipu, especialistas apontam que a autorização para a estatal paraguaia Administración Nacional de Electricidad (Ande) vender a cota paraguaia aos clientes livres brasileiros (as grandes indústrias) pode gerar desequilíbrios no mercado cativo (das distribuidoras), que responde por 75% do consumo nacional. "A dúvida que surge é como a energia de Itaipu será substituída no portfólio das distribuidoras", afirma o analista do setor elétrico do Santander, Marcio Prado. Atualmente, a energia de Itaipu é comprada pelas concessionárias do Sul e Sudeste. Em alguns casos, chega a representar 25% da oferta, caso da AES Eletropaulo (SP). Considerando o mercado total, a migração da energia do ambiente livre para o cativo não afeta o balanço entre oferta e demanda, porque o volume não consumido pelo Paraguai continuará a ser negociado no Brasil. Nesse contexto, as concessões do governo brasileiro garantiram a segurança energética do País, porque a principal demanda paraguaia, a de negociar sua fatia de Itaipu para outros países, não obteve sucesso. Porém, os especialistas sugerem que o ritmo da transição da oferta deve ser gradual para não provocar desequilíbrios entre os mercados. "É preciso cuidado para não inundar de energia o mercado livre e nem provocar um buraco no mercado cativo", destaca o ex-diretor da Cesp e consultor da Andrade & Canellas, Silvio Areco. Hoje, Itaipu representa quase 20% do consumo total de energia do País, e a oferta da usina está na base da modicidade tarifária do sistema brasileiro. Com a migração da energia do cativo para os clientes livres, o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, argumenta que dificilmente o governo conseguirá adicionar outra oferta barata no portfólio das distribuidoras. "Se a energia sai do cativo, o governo federal corre o risco de colocar outra mais cara no lugar. Os leilões mostram isso. O Brasil está contratando térmicas caras, sem nenhuma ligação com a tradição da matriz elétrica brasileira", explica De Castro. Nos próximos 60 dias, um grupo de trabalho formado por membros dos dois países discutirá propostas para o ingresso da Ande no setor elétrico brasileiro. Segundo a diretoria brasileira de Itaipu, a tarifa da usina para o Paraguai este ano é de US$ 48/MWh. Lima revela que as grandes indústrias estariam dispostas a pagar até US$ 55/MWh, que ainda assim a oferta da hidrelétrica estaria mais competitiva do que os preços verificados no Brasil. O executivo também diz que nem a instabilidade paraguaia inibiria a contratação direta da Ande. "Isso não assusta, porque a Ande terá que seguir as regras de comercialização do mercado brasileiro", justifica.

Edição EDIÇÃO 16964




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL