ECONOMIA
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 21h:14
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REDUÇÃO IPI
A vez da construção
União confirmou ampliação dos benefícios e isenções para novo segmento. Varejo diz: é a hora de ampliar e reformar
MARIANNA PERES
Da Editoria
A semana começa com duas boas notícias ao consumidor. Além do anúncio da manutenção da desoneração tributária sobre veículos, que deveria terminar hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre 30 itens entre eles produtos básicos - de material de construção pelos próximos três meses. No mercado mato-grossense, a notícia foi bem recebida por comerciantes, construtores e consumidores, que acreditam no efeito prático da medida, já que o mix de produtos cobertos é variado e atende às necessidades de quem quer ampliar e reformar. Este é o momento para quem estava planejando obras, afirma o presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção do Estado de Mato Grosso (Acomac), Wenceslau Souza Júnior. Como ele frisa, há produtos com corte de IPI de até 8 pontos percentuais. O mix de produtos está bem variado e contempla materiais de primeira necessidade na construção civil, como o cimento e beneficia a ponta do acabamento, com as tintas e vernizes que também sofrem reduções. Porém, é bom lembrar que o preço mais acessível ao consumidor vai chegar de forma gradual e, dependendo do item, pode levar mais de 30 dias para estar disponível com preço reduzido. Não adianta o consumidor achar que os preços cairão de imediato. Há materiais de giro rápido, como o cimento, que eu acredito que cheguem mais baratos já na próxima semana. Mas as lojas têm estoques de ferragens e tintas e isso poderá levar tempo, até que os comerciantes efetuem suas compras e, então, obtenham descontos das indústrias, adverte. O gerente de Marketing da loja de materiais de construção Todimo, Tiago Guimarães, lembra que diferentemente dos carros que tiveram de fato isenção do IPI, a cadeia dos materiais de construção sofre carga tributária federal e estadual, e também tem preços atrelados ao frete, ou seja, possuem uma formação de preços diferenciada. No caso dos carros, a isenção chegou a 100% e foi repassada. Na nossa atividade, além da incidência do ICMS e frete, cada produto tem uma alíquota diferente. O consumidor precisa estar atento a este diferencial para não ter idéias distorcidas de preços. A partir de amanhã, a alíquota de IPI que incide sobre cimento cairá de 4% para zero, massa de vidraceiro passa de 10% para 2%, produtos utilizados em pinturas, de 5% para 2%; aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concreto, de 10% para 5%; e disjuntores, de 15% para 10%. Entre os produtos cujas alíquotas passaram de 5% para zero estão: tintas e vernizes, revestimentos não-refratários do tipo dos utilizados em alvenaria, argamassa e concreto para construção, banheiros, boxes para chuveiros, pias e lavatórios de plástico, assentos e tampas de sanitários de plástico, caixas de descarga e artigos semelhantes de plástico, pias, lavatórios de porcelana e cerâmica, grades e redes de aço, pias e lavatórios de aço inoxidável, fechaduras, ferrolhos, cadeados e dobradiças, válvulas para escoamento e outros dispositivos dos tipos utilizados em banheiros e cozinhas, e chuveiro elétrico. CONSUMO Alertas à parte, a notícia chega num bom momento. Para alguns, vai manter o aquecimento do varejo; para outros, vai fazer as vendas decolarem em 2009. A desoneração chega num momento de reação e também em um período em que os preços do aço, cimento e tijolo já vinham sendo reduzidos. O cimento, carro-chefe da construção civil, teve queda de até 18%. Para se ter uma idéia, o varejo fechou o primeiro bimestre de 2009 com um crescimento em vendas de 12% em relação ao bimestre de 2008. Esse percentual de expansão diante da atual conjuntura só se vê na China, alerta o presidente da Acomac. O gerente de Marketing da Todimo reforça que mesmo não havendo na prática a desoneração total de alguns produtos, devido à formação de preços ser diferente, as medidas terão impacto grande na cadeia da construção civil. Mesmo com os descontos de IPI, acredito que todos os comerciantes vão manter suas promoções e segurar margens de lucros para aproveitar o momento. Ninguém arrisca um percentual para definir a possível evolução de vendas no período. Mas, certamente, haverá incremento. Agora é a hora, insiste Júnior. O sócio-diretor da Ginco Empreendimentos Imobiliários, Julio César de Almeida Braz, observa as vantagens dos dois lados: como construtor, já que a Ginco comercializa terrenos, mas oferta toda a rede de infraestrutura, e isso requer toneladas de cimento, ferro e aço e poderá contar com o bom momento para ver seus clientes construírem os imóveis do sonho de cada um. A medida traz efeitos práticos e psicológicos. O primeiro sobre o cimento, que acaba sendo o item de referência aos outros produtos e segundo porque o estímulo pelo mais barato acaba levando as pessoas a consumirem. Uma corrente positiva. (Veja mais sobre IPI na página C2)