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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ECONOMIA
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009, 20h:39

III BIENAL

A agricultura em foco

No centro dos debates a regularização fundiária, demarcação de áreas indígenas e a falta de infra-estrutura

ALECY ALVES
Da Reportagem
A III Bienal da Agricultura, que começa amanhã e se estenderá até o dia 21, em Cuiabá, traz em sua programação questões polêmicas como regularização fundiária, demarcação de áreas indígenas e falta de infra-estrutura (leia-se estradas) para transporte da produção agrícola. A partir do tema “Renda Agrícola”, os outros foram planejados e a previsão é que os debates tenham cobranças de posicionamento e de ações dos gestores públicos das duas esferas do poder Executivo, federal e estadual. A presença do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, é esperado para o último dia. Agricultor, diretor da Associação de Produtores de Soja(Aprosoja) e coordenador da Bienal, Ricardo Arioli, apontou a incapacidade dos governos para legalizar as propriedades rurais mato-grossenses como o principal impedimento do controle do desmatamento e queimadas ilegais. E ainda, por manchar a imagem do agronegócio. Arioli explicou que por não ter como identificar os proprietários de grande parte das terras onde acontecem os crimes ambientais, os governos acabam não tendo como responsabilizá-los. Isso ocorre, diz, por ausência ou duplicidade dos títulos de propriedade. Sem nominar e punir os que cometem crimes ambientais, a culpa acabaria sendo compartilhadas por quem atua dentro da legalidade, uma situação que têm atrapalhado a imagem do agronegócio mato-grossense, segundo Ricardo Arioli. “Ficamos chateados, mas nunca obtivemos respostas”, reclamou. “Os governos deveriam pagar o ônus político disso retirando os invasores”, completou. A falta do documento de propriedade também é prejuízo para aqueles são donos das terras, porém não conseguem obter a escritura e por isso ficam impedidos de acessar as linhas de créditos agrícolas. Ainda dentro da linha fundiária, a Bienal vai discutir a demarcação de novas terras indígenas, uma ameaça ao agronegócio na visão das lideranças do setor. Como exemplo, Arioli citou as duas reservas indígenas que estão sendo demarcadas no município de Brasnorte(580km de Cuiabá), uma delas a Manoky, e devem atingir áreas de produção agrícola. Pelas regras da demarcação quem ocupa terras dentro ou que serão inclusas no perímetro das reserva não serão indenizados, independente de ter ou não escritura. O item Infra-estrutura Logística, uma questão que atormenta o setor o será um dos principais assuntos em pelo menos dois dias do evento. Primeiro, na quinta-feira, com o lançamento do Movimento Pró-logística. Depois, na sexta-feira, com cobranças diretas ao diretor geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antônio Pagot, parlamentares da Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem (Frenlog) e o secretário-executivo da Câmara Temática de Infra-Estrutura e Logística do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Biramar Nunes de Lima. Para dimensionar a gravidade do problema, Arioli observou que quem faz compras pela internet conhece bem esse dilema. Ele lembrou que as empresam que anunciam a isenção da taxa de frete para atrair consumidores fazem a observação “exceto para Mato Grosso”. Nesse mesmo dia, às 10h, o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, deve participar do painel sobre Política Classista e Renda Agrícola junto com o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira da Silva, do Conselheiro Consultivo da Ampa, Sérgio De Marco, e do presidente do Senar-AR/MT, Normando Corral.

Edição EDIÇÃO 16960




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