ECONOMIA
Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008, 22h:48
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CRISE NO CAMPO
52% quitaram dívidas
Balanço do BB revela que do total passível de renegociação no Estado, R$ 1,62 bilhão, foram pagos até o momento R$ 842 mi
MARIANNA PERES
Da Editoria
A superintendência do Banco do Brasil, em Mato Grosso, divulgou ontem números do desempenho do agronegócio estadual em 2008. Os dados revelam que 51,94% do total dos contratos de custeio e investimentos passíveis de renegociações e prorrogações foram quitados. De R$ 1,621 bilhão, foram pagos até o momento R$ 824 milhões. O volume considerado devido, ou seja, de parcelas que não tiveram seus contratos revistos ou quitados considerados inadimplentes e já sujeitos as sanções dos órgãos de proteção ao crédito -, soma 138 operações no valor de pouco mais de R$ 15 milhões. Do estoque de contratos que atendiam às regulamentações e critérios exigidos pela União para a prorrogação, o Banco enquadrou 3,148 mil operações de custeio, no valor de R$ 691 milhões, e 6,475 mil contratos de parcelas de financiamentos que somam R$ 930,67 milhões. O estoque de dívidas a serem prorrogadas totaliza R$ 1,621 bilhão. Como explica o analista de Mercado de Agronegócio do BB, Marcílio Helder Silva, do total das duas modalidades de contratos (custeio e financiamentos), apenas 1,444 mil contratos de custeio tiveram a sinalização do produtor em aderir à renegociação, o que devolveria ao caixa do BB pouco mais de R$ 325 milhões, ou cerca de 47% do estoque da modalidade. Em relação às parcelas de investimentos, a intenção de renegociação abrangeu 1,879 mil contratos no valor de R$ 434,63 milhões, ou, 46,70% do total passível. Outras 1,656 mil operações de custeio (R$ 360,68 milhões) e 4,489 mil de investimentos (R$ 482,72 milhões) foram pagas pelos produtores sem a necessidade de adesão à repactuação das dívidas. Os volumes honrados nas duas modalidades de financiamento agrícola representaram 52% do custeio e 51,87% dos investimentos passíveis de prorrogações. Questionado sobre os números relativos à quitação das parcelas, pois mais da metade das operações estão quitadas no Estado, o analista explica que apesar do cenário descrito pelo segmento agrícola estadual, um desenho bem pessimista, ele diz que a inadimplência nunca é boa para qualquer banco que, afinal, vive de emprestar dinheiro e os pagamentos dos empréstimos são o capital para novos negócios. Essa situação de débitos vencidos não é boa nem para o Banco e nem para o cliente, pois as duas partes ficam amarradas: o Banco perde força no seu capital de giro e o cliente fica com restrições e impedido de realizar novas operações. Inadimplência, em qualquer nível, nunca é boa, encarece, aumenta os riscos e reduz a liquidez para o mercado. 2008 O BB apresentou também números relativos ao volume de contratações de empréstimos realizados no segundo semestre deste ano no agronegócio mato-grossense. Os dados foram comparados com o consolidado em igual período do ano passado. No segmento da agricultura empresarial, o BB havia liberado R$ 569,66 milhões de julho a dezembro do ano passado. O acumulado no mesmo período de 2008 ampliou as aprovações em 30%, totalizando R$ 743,36 milhões. Queda significativa foi observada na agricultura familiar que, na comparação entre os semestres, apresenta redução de 60%. Na contabilização dos recursos destinados às duas modalidades o Banco injetou R$ 794,96 milhões, 14% acima do realizado no segundo semestre de 2007. Conforme destaca a superintendência do BB no Estado, o destaque das contratações vai para a modalidade investimentos, que na comparação entre os períodos obteve incremento de 124%, passando de R$ 87,99 milhões para R$ 196,90 milhões. O saldo da carteira de agronegócio do BB até dezembro deste ano em relação a igual período do ano passado revela incremento de 5,54% em relação ao volume aprovado, mesmo contabilizando 297 contratos a menos. Até o dia 31 de dezembro de 2007, o Banco tinha 180,227 mil contratos que totalizavam recursos de R$ 5,085 bilhões. Até o dia 5 deste mês, foram realizadas 179,93 mil operações, mas o volume total foi de R$ 5,367 bilhões.