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ECONOMIA
Terça-feira, 02 de Setembro de 2008, 20h:20

VAZIO SANITÁRIO

150 notificações em MT

Plantas de soja viva foram encontradas em todas as regiões do Estado. Algumas guaxas chegaram até a dar grãos neste período

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea) registrou até o último dia 31 de agosto cerca de 150 notificações contra produtores que não fizeram a destruição total das plantas tigüeras ou guaxas nas lavouras de soja no período do vazio sanitário - que vai de 15 de junho a 15 de setembro – propiciando a ocorrência da ferrugem asiática nas lavouras. Tigüeras ou guaxas são aquelas plantas que nasceram e se desenvolveram de forma involuntária no campo, como por exemplo, dos grãos que sobram da última colheita. O vazio sanitário é o período em que fica proibido o plantio de soja no Estado para evitar o aparecimento da ferrugem, considerada o “terror” dos sojicultores pois traz perda de rendimento às lavouras. O Vazio foi instituído para eliminar a existência de plantas que possam abrigar os fungos (Phakopsora pachyrhizi), fazendo a chamada ‘ponte verde’ de uma safra a outra. O produtor que cultivar soja neste período pode ser multado e ter sua plantação destruída. Apenas nas áreas de pesquisa ou de produção de sementes o plantio é autorizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo o engenheiro agrônomo Antônio Marcos Rodrigues, da Coordenadoria de Defesa Vegetal do Indea, só no período do Vazio, 1.043 propriedades foram fiscalizadas pelo Órgão. “Encontramos plantas vivas [de soja], com indícios de ferrugem em algumas lavouras”, informa o agrônomo. Ele disse que este ano as condições climáticas são mais favoráveis para a prevalência da doença, “pois em 2007 o tempo estava mais quente do que neste ano”. Fiscais da Superintendência Federal da Agricultura em Mato Grosso também já detectaram a existência de plantas verdes de soja com presença de ferrugem na região do Chapadão do Pareci, entre os municípios de Tangará da Serra e Campo Novo. De acordo com o coordenador da Comissão de Defesa Vegetal da SFA/Mapa, Wanderlei Dias Guerra, foram encontradas plantas isoladas em uma área de aproximadamente 100 hectares, onde os produtores fizeram o plantio de culturas de inverno autorizadas, como milho, feijão guandu e girassol, para adubação verde. “O problema é que no meio deste cultivo ficaram plantas de soja viva, o que nos preocupa muito porque a ocorrência está bem próxima do período do plantio, que começa após o dia 15 de setembro”, avalia Guerra. O coordenador frisa que “apenas um caso onde haja presença de plantas verdes com ferrugem é suficiente para infectar toda uma região dando início a um ciclo que atinge todo Estado”. NO CAMPO - Além da região do Chapadão dos Pareci, foram detectadas plantas verdes de soja com indícios de ferrugem também nas regiões da Serra da Petrovina, no sul do Estado, e de Diamantino (Médio Norte). “Notamos que de norte a sul houve descuido durante o período de cultivo das lavouras de inverno, o que é um motivo de apreensão por parte dos órgãos sanitários, já que pode provocar a propagação do fungo da ferrugem nas lavouras”. Guerra informou que uma empresa de pesquisa chegou a identificar plantas tigüeras que chegaram a produzir grãos. “O problema é que essas plantas vão germinar logo com as primeiras chuvas, antes do período de plantio, podendo ser as precursoras da ferrugem. A incidência existe, bastam as chuvas para infestar”. Na avaliação dele, de uma maneira geral a grande maioria dos produtores mato-grossenses cumpriu as exigências do Vazio Sanitário e fizeram a destruição das plantas tigüeras. “O que preocupa são os casos esporádicos de plantas verdes de soja já com a presença do fungo da ferrugem, que são suficientes para infectar as demais lavouras, invalidando os esforços dos produtores que fizeram a destruição correta e algumas estão entre as plantações de inverno”. Guerra informou que, mesmo que a planta seja destruída agora, há risco de propagação da ferrugem, pois o fundo permanece vivo por um período de pelo menos 60 dias. “Agora é rezar para que a ferrugem não se dissemine rapidamente”, disse, recomendando os produtores destas regiões a “ficarem atentos a uma possível ocorrência precoce da ferrugem e, confirmando isto, fazer a aplicação imediata do fungicida”.

Edição EDIÇÃO 16968




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