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Sábado, 08 de Agosto de 2009, 12h:45
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FEDERAÇÃO ESPÍRITA
Uso, não abuso.
Uso, não abuso. Nilza Pelá Os avanços tecnológicos do último século, sem dúvida, agigantaram-se de maneira vertiginosa a ponto de, ao adquirirmos um aparelho qualquer, sabermos que em curto prazo nos defrontaremos com outro similar a nos oferecer mais recursos. O computador então se apresenta como um recurso que hora é visto como um mocinho ora como um vilão quando se trata de seu uso por crianças e por jovens. Sabemos que se opor a seu uso é comportamento retrogrado e só geraria revolta no público usuário, e iríamos, também, contra a corrente da evolução em um momento que a inclusão digital é programa do governo que busca tirar da marginalidade um segmento da sociedade que não teria acesso ao computador por falta de recursos financeiros. Essa temática tem sido objeto de discussão por educadores e pais que buscam uma saída saudável para o uso do computador para os educandos e os filhos. Um questionamento muito freqüente diz respeito à habilidade que têm crianças e jovens de incorporarem os recursos apresentados pela máquina e, entretanto são lerdos para incorporarem os princípios éticos morais que deveria pautar o uso do computador ou qualquer outro recurso tecnológico. Na questão 365 de O Livro dos Espíritos Kardec já apresentava aos Espíritos da Codificação esse descompasso entre evolução científica e evolução moral. Respondem: O Espírito progride em insensível marcha ascendente, mas o progresso não se efetua simultaneamente em todos os sentidos. Durante um período da sua existência, ele se adianta em ciência; durante outro, em moralidade. Acrescentam que isso ocorre porque os Espíritos encarnados ainda não são bastante puros. Sabemos que vivemos em um mundo de expiação e provas rumo a regeneração e que, portanto, com algumas raras exceções, constituem a humanidade Espíritos que ainda tem muito a aprender em ciência e moralidade. O passo em direção a ciência tem sido rápido, o mesmo não tem acontecido à incorporação dos princípios morais. Como viabilizar a saída para essa questão? Precisamos ter uma referência para a reflexão sobre este problema e podemos buscá-la em O Evangelho Segundo O Espiritismo, Capítulo XVII Sede Perfeitos Item 3- O Homem De Bem, onde encontramos: Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões. O uso do computador poderia ser denominado paixão? Vejamos o que nos diz sobre paixão, o Dicionário Aurélio Século XXI (digital): Sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão. Afeto dominador e cego; obsessão. Entusiasmo muito vivo por alguma coisa:. Atividade, hábito ou vício dominador. Cotejando o termo paixão com uso e não abuso, vemos que a saída aí está: ensinar a usar a máquina com lucidez e razão, sem ser por ela dominado. Isso demanda que o adulto educador também tenha hábitos saudáveis no uso, que viabilize tempo para acompanhar o uso que a criança e o jovem estão fazendo da máquina, demonstrar que há entretenimento que não é agressivo ou pornográfico, que nem todos usuários da Internet são providos de senso moral e que, portanto devemos ser cautelosos ao escolhermos nossos amigos virtuais, que o que ocorre no mundo virtual é diferente do que ocorre no mundo real, exemplificando: quando em uma brincadeira com amigos a criança cai e rala o joelho ela sente dor e desconforto, já no jogo virtual o adversário a mata e ela continua viva e sem qualquer dor física. Tem-se que considerar ainda que, viabilizar o uso do computador às crianças e jovens, não significa que estaremos tendo um tempo a mais disponível para nós, pois como já vimos o acompanhamento exige disponibilidade de tempo, assim é falsa a idéia de que a criança / jovem estará seguro, pois está no ambiente doméstico, longe dos perigos da rua, lembremo-nos que ele está no espaço virtual que derruba as barreiras geográficas aumenta a possibilidade de interação com pessoas que talvez nunca veremos e das quais não teremos qualquer informação, pode acessar informação sobre conteúdos para os quais ainda não tem maturidade para compreender. Trabalhoso, devem estar pensando os leitores desta coluna, e não foi por isso que os Espíritos da Codificação disseram para Kardec que ser pai ou mãe é missão e que Francisco Thiesen (Espírito) (*) disse aos evangelizadores da infância e juventude trabalhadores da última hora, sois herdeiros da oportunidade feliz para reparardes o passado mediante a construção do futuro. Não é o acaso que vos reúne no campo da ação espírita-cristã. *THIESEN, FRANCISCO 1997 apud RIBEIRO, R.V. Evangelização espírita em marcha.Reformador, Brasília, v.125, n. 2139, p.18-20, Jun.2007. Fonte: Verdade e Luz, edição nº 258, Julho de 2007 Federação Espírita do Estado de Mato Grosso www.feemt.org.br