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Colunistas
Sábado, 02 de Agosto de 2008, 14h:23

FEDERAÇÃO ESPÍRITA

O amor e o processo educativo

NILZA TERESA ROTTER PELÁ de Ribeirão Preto, SP [email protected] O presente artigo tem por objetivo analisar, a luz da doutrina espírita, matéria publicada em periódico semanal de grande circulação1 que trata de importante aspecto que é o amor no processo educativo. O título do artigo e a opinião do renomado médico psiquiatra é que “amor demais estraga”. Nós os espíritas já aprendemos com o Espírito Verdade2 que o primeiro ensinamento para nós é o “amai-vos”, portanto não podemos concordar que qualquer espírito na qualidade de pai terreno que seja capaz de amar demais poderá estragar aquele que se encontra na posição de filho. O que nos cumpre destacar é que o conceito de amor colocado é bastante distinto do conceito ensinado pela doutrina espírita. Naquele artigo o psiquiatra traz o conceito de amor como o ato de “mimar” ou seja, nunca contrariar o filho o que na sua opinião, como na nossa, deseduca, pois torna o filho uma criança que não aceita limites, tanto é verdade que deste mesmo médico há dois outros livros muito interessantes que se intitulam “Quem ama educa” e “Disciplina, limita na medida certa”. Amar é buscar o melhor para a pessoa que amamos e a luz da doutrina Espírita esse melhor não se restringe a uma encarnação, mas tem como alvo o Espírito no seu processo evolutivo que envolve muitas experiências reencarnatórias. Assim é ajudar o Espírito na condição de filho a despertar para os valores morais, entendendo o sentido da experiência terrena como oportunidade de construção de um futuro melhor. Sabemos pela doutrina Espírita que se deve ensinar “aos vossos filhos que eles estão na Terra para se aperfeiçoar, amar e bendizer”.3 Esse “ensinar” não é meramente um ato teórico, mas um ato de vivência dentro da família, senão estará ocorrendo o “faça o que eu digo e não faça o que eu faço”. O que leva os pais terem dificuldades de colocar limites para seus filhos? Sabe-se que pais ausentes (não estamos falando de ausência física, mas ausência psico-emocional) são aqueles que menos limites colocam, pois colocar limites demanda estar presente para acompanhar a adesão aos limites, sabe-se também que há alguns pais que na infância foram muito reprimidos reproduzem esse comportamento em relação aos filhos, outros se esforçam para dar aos filhos “tudo que não tiveram” e alguns conseguem o equilíbrio de não impingir sofrimentos desnecessários, mas também não mimar os filhos. Como sempre o equilíbrio é a chave do sucesso, pois à medida que defrontamos uma situação devemos ponderar as circunstâncias, a fase de vida do filho, então decidir qual será o comportamento mais adequado para aquele momento, sem medo da perda de autoridade e sem a preocupação de mostrar “quem pode mais”. Certa feita presenciei um acontecimento muito ilustrativo. Estava na casa de uma amiga quando a irmã mais velha que estava no último mês de gestação do quarto filho entrou trazendo pelo braço o filho mais velho com 8 anos para que a avó (mãe da minha amiga) desse uma surra no mesmo, pois ele havia feito uma travessura das grandes e ela mãe não tinha destreza para castigar o filho pelo adiantado estado de gravidez. A avó contrariada, mas para não desautorizar a mãe encenou bater no menino. O ensinamento veio quando o menino de castigo foi posto sentado na varanda e a avó falou para a filha: “não faça mais isso, pois a pior coisa que existe e ter que bater em alguém sem estar com raiva”. A questão que se coloca é: se educar é um ato de amor e se só se bate em alguém quando se esta com raiva dele será este ato um ato educativo? Raiva educa? Encerro essas reflexões com as palavras de Santo Agostinho4: “Ó Espíritas! Compreendeis o grande papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos foi confiada…”. (destaque nosso) Bibliografia: 1 - Amor demais estraga. Veja, v.36, n.° 22, p.11-15, junho, 2003. 2 - O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5. 3 - O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIV, item 9. 4 - O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIV, item 9. Fonte: Verdade e Luz, edição nº 211 . Agosto . 2003 Federação Espírita do Estado de Mato Grosso (3644-2727)

Edição EDIÇÃO 16961




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