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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

Colunistas
Sábado, 02 de Junho de 2001, 17h:17

CANTINHO CUIABANO

Cuiabá de Trancas e Tramelas

- Sabedô do furto praticado por Donzinho macumunado cô tar do Bino, Doriquinho resorveu fazê barba e bigode, mandano busca a oreia dos dois. E Tôco Torero que já tinha encrenca, era o mas indicado prá impreitada e prá fazê u selviço. - Sabia que ele atirava bem, só vivia pronto, quebrado, sem grana e que vivia matano catchorro a gritaço, além do mas, tava rastano asas pro lado da Luquinha. João Papo Vermeio, já estava com a guela seca de tanto contar a sua estória, por isto, emborcou na boca a cabaça contendo água fria, solveu alguns goles fazendo barulho e incomodando, Tuca Capivara um garimpeiro baiano baixinho com gabelos eriçados que nem de capivara: “Erre corno parece que tá ingolino merda! Após um forte arroto, deixou escorrer pelos fios avermelhados do bigode gotículas da alva água, avermelhados de tanta nicotina. Acendeu outro paieiro, deu nova pigarreada acompanhada de uma longa cuspada, e continuou: “- Chamano Tôco Torero, despois de uma garrafa de cinzano, estufô que nem sapo gia, e cheio de coragê disse que precisava dele prá um selviçinho simpres! - Limpá o côro de Donzinho e Bino, safados que tinha robado ele e que tinha insurtado o nobre amigo na casa de Fofura. - Entonce...! Não só proquê somos mucho amigo e que já sabia do interesse dele no namoro de Luquinha, poderia inté formá famía cô uma donzela pura. - Mar sabia que Luquinha tava inchertada de arguns meses, proquê Tôco Torero tinha tirado o tampo e feito mar prela! - Vô pensá, logo logo te dô uma resposta! Resposta que num demorô mucho - Pode contá cumigo! - Porém Tôco Torero, tomem tinha lá seus prainos. - O ronco quase de motor de pôpa de Juca Tubarão, já estava atrapalhando a voz de Papo Vermeio, que não tinha tempo nem de respirar, e aquela noite enluarada, penetrava pelas frestas do telhado de zinco, formando cenário espetacular com as diapasões de cores: dos paieiros, das sombras que desenhavam no chão batido do barracão figuras interessantes e da própria luz do luar. “Vê se desliga um pocô esse moto de pôpa Juca Tubarão, ocê num tá mas navegano no Mar do Ceara. João Papo Vermeio, sempre detalhista, explica o porquê do apelido Juca Tubarão, em pleno sertão mato-grossense. - Juca tubarão, contô que era pescado e jangadero lá no Ceara, e que certa madrugada tava pescano em alto mar, quano um baitelo do tubarão de mas ou meno seis metro, deu uma cacetada na sua jangada e no choque ele foi lançado ao mar. Ele tava sozinho, e quando assutô, só viu a barbatana do tubarão fora da água, nadano na sua dereção. Ele deu um merguio, entro pro debacho do baitelo, garro no corpo dele, merguiano mas de 10 metro, e ele agarrado no tubarão. A sorte dele foi um punhá que ele infincô num oio do tubarão e despois no outro. O tubarão disque ficô cego e saiu em disparada, senô que Juca Tubarão inda merguio mas arguns metro atrás dele, mas ele fugiu cos óios vazado. Despois disto nenhum tubarão atacô Juca. - Ele acha que o tubarão cego, contô potros tubarão da redondeza, que ficô cô medo dele! Erre corno...! Essa é marvada! Pigarreava João Papo Vermeio, dando um sorriso matreiro, quase deixando o paiero cair da boca. (Continua no próximo domingo) MOISÉS MENDES MARTINS JÚNIOR Membro da Academia Mato-grossense de Letras

Edição EDIÇÃO 16961




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