CIDADES
Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010, 20h:46
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FIM DE ANO
Voos já atrasam em VG
Movimento de aeroviários e aeronautas começa a causar efeito no terminal Marechal Rondon, que teve 14 voos em atraso ontem
O Aeroporto Marechal Rondon, que teve pelo menos 14 de seus voos atrasados ontem, corre hoje risco ainda maior de acabar causando transtornos aos passageiros devido à greve anunciada pelos sindicatos nacionais de aeroviários e aeronautas ambos reivindicando reajustes salariais que até agora as empresas aéreas se recusam a conceder. De acordo com o monitoramento de voos da Infraero, cuja última atualização foi das 19h (horário de Brasília), 14 dos 50 voos programados ontem para o terminal em Várzea Grande sofreram atrasos (28% do total). E até o fechamento desta edição, ainda havia três voos atrasados. O aeroporto em pior situação era o de Boa Vista (RR), com 75% dos voos prejudicados. Entre os 2.093 voos domésticos programados para ontem em aeroportos de todo o país, houve 677 atrasos (32,3%) e 82 cancelamentos (3,9%). Os transtornos estão ocorrendo numa época em que a Infraero projeta aumento de 20% no fluxo de passageiros a partir de hoje, data para a qual aeronautas e aeroviários anunciaram início de paralisações em aeroportos de todo o país. Embora a situação ontem no Marechal Rondon fosse de tranquilidade (mal havia filas para check-in e a área de alimentação não estava cheia), a possibilidade de greve deixa os passageiros em estado de insegurança, como o ecólogo mineiro Alfredo Lopes Lage Filho, 51. Ontem à tarde ele esperava um voo para voltar à sua cidade, Poços de Caldas, e temia acabar tendo problemas para retornar a Cuiabá até o dia 2 de janeiro, quando precisa retomar negócios em Mato Grosso. A expectativa é de não poder retornar, resumiu. Há expectativa de que a greve anunciada por aeroviários e aeronautas atinja o Marechal Rondon indiretamente, num efeito cascata decorrente de voos prejudicados em aeroportos distribuidores, como o de São Paulo. Entretanto, a Infraero alegou que não tem condições de prever a medida do impacto a ser sentido no mais importante aeroporto mato-grossense. Em nota, a estatal fez questão de destacar que os aeroportuários continuam trabalhando e orientou os passageiros a confirmarem seus voos com as companhias aéreas antes de embarcar. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também afirmou que não há como prever os impactos da greve, mas disponibilizou inspetores em onze aeroportos para atenderem casos de passageiros com problemas para viajar decorrentes da greve. Esses inspetores podem ser identificados pelos coletes azuis, circulando tanto pelos bastidores dos aeroportos quanto pelos saguões. GREVE - A reportagem tentou contato telefônico com os presidentes dos sindicatos nacionais dos aeroviários e dos aeronautas, Selma Balbino e comandante Fochesato, respectivamente, mas eles não atenderam às ligações durante a tarde de ontem para falar a respeito dos profissionais que devem paralisar as atividades em Mato Grosso. De acordo com o que os dois sindicatos já divulgaram, as paralisações devem começar hoje por volta das 6h da manhã e devem ser dispersas pelo país (não simultâneas). Já o sindicato das companhias aéreas emitiu nota afirmando que os profissionais já receberam os devidos reajustes salariais. As empresas também estariam formulando táticas para minar os movimentos paredistas. O governo ainda anunciou ontem à noite um plano de emergência para tentar esvaziar a greve e começa a fazer ameaças aos que estiverem decididos a prejudicar os usuários preparados para viajar nas festas de fim de ano. (Com Agência Estado)