CIDADES
Sábado, 31 de Julho de 2010, 12h:00
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Vontade de recuperação também esbarra em demora
Há 10 anos, a cabeleireira Maria Auxiliadora da Silva, 49 anos, luta para livrar das drogas o filho T.I., 26 anos. O rapaz já foi internado pelo menos sete vezes, inclusive na unidade III do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, a única unidade terapêutica pública, com oferta de apenas 40 vagas para atender todo o Estado. O mesmo acontece com a irmã dela, que também tem um filho dependente. Os dois começaram a usar drogas juntos. A cada vez que precisam internar seus filhos as duas famílias enfrentam dificuldades para conseguir vaga. A cabeleireira disse que ausência de programas públicos de tratamento e acompanhamento muitas vezes a faz se sentir sozinha, sem ter a quem recorrer quando o assunto é o tratamento do filho. Certa vez, relatou Maria Auxiliadora, espontaneamente o filho decidiu procurar tratamento e recorreu ao pronto-atendimento do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da Secretaria Estadual de Saúde (SES), e ficou mais de três horas esperando para ser atendido. Na avaliação dela, quando o dependente expressa vontade e sai em busca de atendimento, deveria receber mais atenção. O filho dela, contou, já estava desistindo, voltando para casa sem receber encaminhamento para internação na Unidade III do Adauto, quando decidiram atendê-lo. Atualmente, Maria Auxiliadora frequenta o grupo de auto-ajuda Amor Exigente. Através desse movimento, segundo ela, apreendeu a se relacionar melhor com o filho, enquanto tenta levar uma vida normal, trabalhando, não se sentindo tão culpada e não satisfazendo as vontades dele. Com base nos princípios desse movimento, contou, transformou a raiva que sentia dele, por não sair das drogas, em amor, sem abandonar as exigências de mudança de comportamento e vida. O lema que ela aprendeu e levou para sua vida foi: eu te amo, mas não aceito o que você faz. (AA)